Aprendendo a Aprender


Envelhecer para James Lovelock
6 Julho 2007, 12:00 am
Arquivado em: *Isabela*, Leituras, Velhice

Envelhecer não é tão ruim como às vezes se imagina. Na minha adolescência, eu achava que, na idade atual [Lovelock nasceu em 1919, portanto tinha 87 anos quando publicou o livro em 2006], estaria fraco, deprimido e meio senil. Algumas dessas premonições se concretizaram, mas não todas, e embora eu consiga andar e subir uma encosta leve a seis quilômetros por hora, caminhar nessa velocidade nas montanhas já não é mais possível. Mas aprendi que a vida se renova a cada década. No meu caso, ela reiniciou a cada década a partir dos meus vinte anos. À semelhança da borboleta, os longos anos como larva e, depois, como pupa terminaram, e como disse a poetisa Edna St Vincent Millay:

My candle burns at both ends;
It will not last the night;
But, ah, my foes, and oh, my friends –
It gives a lovely light.*

*”Minha vela queima nas duas pontas; / A noite toda não vai durar; / Mas ah, meus inimigos, e oh, meus amigos - / Que bela luz ela dá!”

Texto extraído do mais novo livro de James Lovelock, A vingança de Gaia, p. 53, Ed. Intrínseca, 2006.

James Lovelock



Quatro poemas, dois poetas e a velhice
31 Maio 2007, 7:09 pm
Arquivado em: *Isabela*, Leituras, Literatura, Poesia, Velhice

A TI, LEITOR

De Walt Whitman

Tu, leitor, que palpitas de vida e orgulho e amor, assim como eu,
Para ti, por isso, os cantos que aqui seguem.

(Tradução: Luciano Alves Meira )


RUMO A BIZÂNCIO

De William Butler Yeats

I

Este país não é para velhos. Jovens
Abraçados, pássaros que nas árvores cantam
- essas gerações moribundas -
Cascatas de salmões, mares de cavalas,
Peixe, carne, ave, celebrando ao longo do Verão
Tudo quanto se engendra, nasce e morre.
Prisioneiros de tão sensual música todos abandonam
Os monumentos de intemporal saber.

II

Um velho é coisa sem valor,
Um andrajo apoiado num bordão, a não ser que
A alma aplauda e cante, e cante mais alto
Cada farrapo da sua mortal veste.
Nem há escola de canto somente o estudo
Dos monumentos de seu próprio esplendor;
Por isso cruzei os mares e cheguei
À sagrada cidade de Bizâncio.

III

Oh, sábios que estais no sagrado fogo de Deus
Qual dourado mosaico sobre um muro,
Vinde desse fogo sagrado, roda que gira,
E sede os mestres do meu canto, da minha alma.
Devorai este meu coração; doente de desejo
E atado a um animal agonizante
Ele não sabe o que é; juntai-me
Ao artifício da eternidade.

IV

Da natureza liberto jamais de natural coisa
Retomarei minha forma, meu corpo,
Mas formas outras como as que o ourives grego
Em ouro forja e esmalta em ouro
Para que o sonolento Imperador não adormeça;
Ou em dourado ramo pousado, cantarei
Para damas e senhores de Bizâncio
Cantarei o que passou, o que passa, ou o que virá

(tradução: José Agostinho Baptista)


QUANDO FORES VELHA

De William Butler Yeats

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

(tradução: José Agostinho Baptista)


A VELHICE

De Walt Whitman

Vejo em ti o estuário que cresce e se espalha grandemente quando desemboca no mar colossal.

(tradução: Luciano Alves Meira)