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Tem muita gente querendo saber qual é a música de abertura da primeira temporada de Weeds, série exibida no Brasil pelo canal GNT. A quem interessar possa, o tema da série é “Little Boxes”, composta por Malvina Reynolds em 1962 e que está no álbum Weeds - OST Vol.1 (2005) interpretada por ela mesma. A versão de Pete Seeger para esta canção também é boa.
Abaixo, a abertura da série no Youtube e as duas versões da canção.
LITTLE BOXES 1′50
By Malvina Reynolds
Intérprete: Peter Seeger
LITTLE BOXES 1′40
By Malvina Reynolds
Intérprete: Malvina Reynolds
Primeiro foi Rilke & Rodin (2006) de Bernard Malaterre com Jacques Bondoux e Cyril Descours no Eurochannel: documentário dramático de um Rainer jovem, curioso, desejoso de aprender com o mestre Rodin, como ele o chamava. Em 1902 o ainda desconhecido Rainer Maria Rilke vai a Paris para escrever sobre o já famoso René-François-Auguste Rodin. Rilke o coloca num pedestal. Lembro que, quando garota, li de Myrtes Mathias: “Não se endeusam os homens. Um dia o ídolo cai do seu altar.” Acho que Rilke sentiu isso na pele. Mas veja quanta graça e beleza no que ele diz a Rodin: “ao redor do meu coração tem um silêncio profundo onde suas palavras são erguidas como estátuas” e “sua bondade é uma ave branca que voa ao meu redor antes de pousar no meu ombro”. Rodin, por sua vez, apresenta e justifica uma arte desenvolvida com esforço: “a única forma de alcançar a arte é com o trabalho”, diz. Sobre essa idéia de arte valorizada pelo trabalho, Adorno & Horkheimer escreveram em Dialética do Esclarecimento:
Platão baniu a poesia com o mesmo gesto com que o positivismo baniu a doutrina das Idéias. Com sua arte celebrada, Homero, segundo se diz, não levou a cabo nem reformas públicas nem privadas, não ganhou nenhuma guerra nem fez nenhuma invenção. Não sabemos, diz-se, da existência de numerosos seguidores que o tenham honrado ou amado. A arte teria, primeiro, que mostrar a sua utilidade [...]. Mesmo na distância renunciadora da vida, enquanto arte, ele permanece desonroso; as pessoas que o praticam tornam-se vagabundos, nômades sobreviventes que não encontram pátria entre os que se tornaram sedentários. A natureza não deve mais ser influenciada pela assimilação, mas deve ser dominada pelo trabalho (Grifos meus).

A quem se interessar, aqui as datas e horários quando o Eurochannel reexibirá o documentário: 05/07-04:00 05/07-22:30 06/07-11:00 13/07-06:00 15/07-01:30 23/07-00:00 31/07-22:00 01/08-09:00 04/08-07:00 11/08-10:30 15/08-02:00 15/08-17:30.
O Eurochannel também exibiu Mademoiselle Gigi (2005) de Caroline Huppert com Juliette Lamboley, Macha Méril, Françoise Fabian, Alexis Loret. O filme tem boa trilha sonora, com chansons francesas. Coincidentemente, ontem o canal TCM exibiu a versão da novela de Collete, o musical de Vicente Minelli de 1958. As datas em que o drama de Huppert será reexibido pelo Eurochannel, até o final do mês de agosto: 19/07-00:00 20/07-07:00 29/07-04:00 29/07-22:00 30/07-11:00 06/08-00:00 06/08-18:00 18/08-00:30 19/08-07:00 29/08-04:00 29/08-22:00 30/08-11:00.

Para coroar a semana, o canal Globo News reexibiu a entrevista feita com o filósofo John Gray (por favor, não é o John Gray de livros de auto-ajuda e de O segredo) em 2006 para o Milênio. Na entrevista John Gray reafirma que a crença no progresso é uma ilusão. Diz que o saber é a melhor ferramenta dos homens mas pode escravizá-los. Fala que o conhecimento não altera a natureza humana, ou seja, em decorrência os homens não terão mais sabedoria, bom-senso, autoconhecimento, humildade… Tudo o que o conhecimento provoca é poder. Poder, e não controle sobre a natureza. Muito bom.
E inspirada pela frase de Rilke, trago de Aquilino Ribeiro, Lápides Partidas, c. 10, p. 249, ed. 1945:
Pousam (as pombas) no chafariz e então me digo que o chafariz foi feito para elas, concebido por uma alma engenhosa de naturalista de modo a fornecer-lhes um ponto de apoio especioso em seus voejos.
Voejos… bonita palavra!
O canal de TV Fox Life exibiu no dia 19/05, a partir das 22 horas, o filme Os sonhadores (2003) de Bernardo Bertolucci todo “picotado”: as cenas do Matthew usando a pia de mãos para urinar, da prenda que Isabelle mandou Theo pagar olhando o poster de uma atriz (Marilyn? Dietrich?), da prenda do Theo sobre Isabelle/Matthew etc, etc sumiram. Caramba, o filme ficou tão estranho… Sabe ou lembra (quem viu) quando Isabelle diz “eu e o Theo não assistimos TV. Somos puristas. Puros e fortes”? Tudo a ver. Cortar um trabalho que não é seu e, a priori, decidir que o espectador não vai querer (ou não faz questão de) assistir as cenas cortadas é, no mínimo, absurdo.
…e com qualidade tem um nome: Cultura. Sempre encerro meus domingos com Café Filosófico, virou hábito. Às segundas-feiras tem o Roda Viva que ontem trouxe Tariq Ali e foi excelente. Valeu ter esperado. O único senão vai para os horários desses programas: tarde para os que precisam acordar cedo. Um dia, depois do Roda Viva, assisti Edgar Morin com um olho aberto e outro fechado, de tanto sono.
