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O post Memética, intertextualidade e l’ange au sourire de Reims recebeu o seguinte comentário:
Para aquele(a)s que buscam uma breve explicação sobre o que vem a ser a memética, não posso deixar de recomendar o excelente artigo de Adrian Leverkuhn.
Sobre este assunto, John Gray, no livro Cachorros de palha (p. 43), provoca:
Os memes são aglomerados de idéias e crenças que presumivelmente competem uns com os outros de forma semelhante às dos genes. Na vida da mente, bem como na evolução biológica, existe um tipo de seleção natural de memes através da qual os memes mais adaptáveis sobrevivem. Infelizmente, os memes nao são genes. Na história das idéias, não há nenhum mecanismo de seleção natural de mutações genéticas em evolução.
De qualquer modo, apenas alguém milagrosamente inocente em relação à história poderia acreditar que a competição entre idéias possa resultar no triunfo da verdade. Certamente as idéias competem umas com as outras, mas os vencedores são normalmente aqueles que têm o poder e a loucura humana do seu lado. Quando a Igreja medieval exterminou os cátaros, terão os memes católicos prevalecido sobre os memes dos hereges? Se a Solução Final [de Hitler para a questão judaica] tivesse sido ultimada, isso teria demonstrado a inferioridade dos memes hebreus?
Agora, para MEG:

Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Teresa Martin)
Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face
Thérèse: Ordinary girl, extraordinary soul - O filme.
Oração:
Santa Teresinha, a vós recorremos em nossas trevas. Alcançai-nos, para nós, para a nossa pátria, as luzes do Divino Espírito Santo para que todo o nosso íntimo seja luz e claridade, para que recebam sempre os raios benéficos e esplêndidos de quem se apresentava ao mundo como a Luz celeste. Amém.
THERE IS A BALM IN GILEAD 3:19
Artista: Jessye Norman
Piano: Dalton Baldwin
Diretor: Willis Patterson
Album: Norman - Espirituales Negros, 1979, Philips
There is a balm in Gilead
To make the wounded whole
There is a balm in Gilead
To heal the sin-sick soul
Sometimes I feel discouraged
And think my work’s in vain
But then the Holy Spirit
Revives my soul again
Don’t ever feel discouraged
For Jesus is your friend
And if you lack of knowledge
He’ll ne’er refuse to lend
If you cannot preach like Peter
If you cannot pray like Paul
You can tell the love of Jesus
And say, “He died for all”
Ó Deus, estou apressada, tenho apresentação de um trabalho na faculdade daqui a pouco, ainda vou em casa deixar essas compras — e de ônibus! Portanto, quero fazer o supermercado rapidinho! Então me ajude a encontrar o que quero, envie anjos diante de mim para providenciar tudo, Senhor! Que as bananas estejam nem verdes nem maduras e no tamanho que gosto. Tu sabes meu gosto, Pai! Que eu ache uma penca com poucas bananas porque, como já disse, vou de ônibus e não posso carregar muito peso por causa da minha coluna. (Inclusive, Senhor, tenha misericórdia da minha coluna… Trabalhando o dia inteiro em pé, com esses saltos, estou me acabando).
Obrigada Jesus, glória! As bananas estão ótimas, totalmente do meu gosto. E poucas pessoas comprando, posso escolher minhas frutas rapidinho… Obrigada, Senhor!
Pai, que eu não demore muito na fila do caixa. Agilize, Jesus. Que ande rápido… Graças a Deus, está chegando a minha vez. “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.” É verdade, glória!
Senhor, mande esse ônibus logo, toque no coração do motorista, libere o trânsito, abra os sinais, não deixe que nenhum acidente aconteça, que tudo se encaminhe e que eu não chegue atrasada na faculdade. Por falar nisso, que na minha apresentação dê tudo certo. Ponha palavras na minha boca, que o Espírito Santo me ilumine.
Ai, não, meu Deus! Começou a chover! Vai estragar a minha escova! Pare a chuva Jesus! Fiz a escova ontem! Glória, Deus é fiel! O ônibus está vindo. Senhor, que eu encontre um assento, estou tão cansada…
…
Achou este solilóquio estranho? Embora seja fictício e até caricato, o caso acima serve para exemplificar como um teísta interage com Deus no dia-a-dia. Ao contrário do deísta, o teísta é aquele que crê em um Deus onipotente, onisciente e onipresente que mantém, protege e participa de sua vida nas mínimas coisas, até em um fiapo de manga no dente, acompanhando-o desde o ventre de sua mãe.
No cinema. Sonny, personagem vivido por Robert Duvall em O apóstolo foi um ótimo exemplo que vi para um teísta. Ele sonha que a mulher o está traindo, acorda e diz “Glory, Glory Jesus, thank you Jesus” por causa da revelação. Tudo na vida dele é controlado por Deus: num cruzamento ele se ajoelha e reza pedindo orientação divina para onde ir (ele mata o ricardão e foge). Logo no início do filme, vê um acidente na estrada e corre para falar de Jesus ao motorista porque, se ele morresse, seria uma alma alcançada para Deus. Era assim a vida dele: vinte e quatro horas ligado com o céu. Um barato. Assista e dê muitas risadas.
Depois do aquecimento global, surge o escurecimento global ou global dimming. Assisti a um documentário sobre esse fenômeno na BBC e depois em um dos canais Discovery.
O escurecimento global começou a ser estudado há cinco décadas por Gerry Stanhill, um cientista inglês que trabalha em Israel e tem a ver com a redução da radiação solar que chega à terra. O percentual de luz solar no mundo decresceu em 10% nos EUA, quase 30% em partes da antiga União Soviética, 16% nas Ilhas Britânicas, tendo um declínio global de 1-2% por década de 1950 a 1990. O escurecimento global parece ser causado pela poluição do ar que bloqueia uma parte da luz do sol em direção a terra, sendo refletida de volta ao espaço.
Isso implica em quê? Para cada 1% de escurecimento, tem-se igual percentual de redução de fotossíntese, ou seja, menor produtividade agrícola (menos alimento), porque a capacidade dos vegetais absorverem CO2 é reduzida nos locais onde a poluição é maior. Outra conseqüência é o efeito estufa: a energia, presa na atmosfera da terra pelo dióxido de carbono extra (CO2) que é colocado lá, resultou em uma ascensção da temperatura de 0.6°C. E aumento na temperatura do planeta é muito grave.
Os efeitos do escurecimento global somados aos do efeito estufa, segundo alguns cientistas, pode levar a um cenário apocalíptico até o final deste século, com uma previsão otimista de mais 5 graus e uma pessimista de mais 10 graus na temperatura do planeta. Isso significa dizer o desaparecimento de muitas espécies, inclusive talvez até do homo destructus.
Enquanto isso, baseadas na Bíblia, algumas pessoas batem palmas e cantam em suas igrejas:
Deus vai por fogo em tudo aqui / Deus vai por fogo em tudo aqui / Tudo arderá, aleluia! / Deus vai por fogo em tudo aqui / Sim vai por / Deus vai por fogo em tudo aqui / Tudo arderá, aleluia! / Pela escada de Jacó, aleluia! / Pela escada de Jacó vou logo subir, aleluia! / Pela escada de Jacó, ó sim eu vou / Pela escada de Jacó eu vou subir, aleluia!
É sério. Isso porque a Bíblia diz que Jesus virá buscar os salvos e depois Deus fará um novo céu e uma nova terra para os fiéis, os santos, os remidos, os seus filhos. Então, para quê se preocupar com gases poluentes, aquecimento e escurecimento global se tudo vai acabar mesmo?
A Bíblia, com sua visão antropocêntrica, semeou idéias de dominação da natureza pelo homem. Os animais e a flora foram criados para usufruto e exploração do homem, ser criado à imagem e semelhança de Deus, que disse:
Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à sua imagem e semelhança; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.
E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
Eis que vos tenho dado toda a erva que dá semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore em que há fruto de árvore que dá semente, ser-vos-á para mantimento.
E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento. E assim foi. (Gn 1.26-30, grifos meus)
Se Deus estivesse preocupado com o planeta e com sua conservação, teria dito: “meus filhos, sejam sábios, sejam homo sapiens e não homo destructus. Estou dando esta terra maravilhosa a vocês, mas procurem não destruí-la, procriem com responsabilidade, cada um tendo quantos filhos possa manter e educar. Lembrem-se que os animais, seres que também criei, não são inferiores a vocês”, um discurso mais ou menos assim.
Mas não. Quando Adão e Eva “pecaram”, comendo do fruto proibido, deram-se conta de que estavam nus e procuraram cobrir-se com folhas de figueira. Quando Deus viu que eles haviam pecado, expulsou-os do jardim. Antes, porém, a Bíblia diz que Deus fez túnicas de pele e os vestiu. Ora, o homem pecou, mas quem pagou com a vida foi um animal, para que sua pele cobrisse e aquecesse os tais pecadores.
É, pelo visto Deus só pensava no bicho homem e não estava nem aí para os animais e a natureza. Prova? Tempos depois, os homens se corromperam e a Bíblia diz que:
Viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coraçãoo era só má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração. E disse o Senhor: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até ao réptil, e até a ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. (Gn 6.5-7, grifos meus).
O homem se corrompeu, então por que destruir os animais e as aves? O que os pobrezinhos tinham a ver com isso? O homem erra, peca, faz besteira e o planeta é inundado! Não é incrível? É quando Deus manda o dilúvio e, vejam bem: aquela história de ter colocado casais e casais de animais na arca só aconteceu porque Ele se agradou de Noé. Por causa dele, alguns animais se safaram para servirem de sustendo aos homens. Há livro mais antropocêntrico que a Bíblia?
Depois, quando Jesus veio ao mundo, pregou uma mensagem de salvação e de amor ao próximo — muito bonita, muito legal — mas nunca disse em seus sermões uma frase sequer sobre conservação e respeito ao meio ambiente.
Nós não educamos uma criança quando ela desperdiça água? Quando os homens começaram a espoliar a natureza em excesso, Deus poderia tê-los conscientizado e advertido enviando um “profeta do meio-ambiente” com uma mensagem ecológica, pois era assim que Ele se comunicava com suas criaturas — através dos profetas. Isaías, profeta do Messias; Daniel, profeta do Reino; Jeremias, o profeta chorão; João, profeta do Apocalipse e outros foram porta-vozes das mensagens de Deus — normalmente de exortaçãoo e repreensão — aos homens.
Pois a Bíblia também diz: “Instrui ao menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22.6). Digamos que uma pessoa de formação cristã aprendesse que Deus não gosta que seus filhos poluam o planeta e desperdicem os recursos naturais, mas abençoa e faz prosperar os que preservam a natureza. Pensemos no impacto que isso teria.
Talvez, se a Bíblia tivesse ao menos um versículo sobre conservação ambiental e controle demográfico, as coisas não estariam tão ruins. Entretanto, os que crêem que a Bíblia é a palavra de Deus, sabem que basta uma palavra Sua para que um novo mundo seja criado. “Aquecimento? Escurecimento global? São fins dos tempos, irmãos, as profecias estão se cumprindo, Jesus está voltando. Em breve, os salvos partirão deste mundo para a Nova Jerusalém, onde não haverá pranto nem dor”. São Pedro e São João já diziam:
Mas nós, segundo a sua promessa [promessa de Jesus], aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça (2 Pe 3.13, grifos meus) e Maranata, ora vem Senhor Jesus. (Ap 22.20b).
A Bíblia é considerada uma bússola que indica o caminho aos céus e, as pessoas que seguem seus ensinamentos, não consideram este mundo como sua morada. São “peregrinos na terra” e anelam ir ao seu lar: o céu. Músicas, poemas e livros religiosos reforçam essa idéia que, pela fé, virou convicção. Ao enfatizar a vida futura em outro lugar, com Deus, a terra é até comparada ao Egito, quando o povo hebreu viveu lá como escravo de Faraó: um lugar de sofrimento, de lutas, de dificuldades, de passagem. Como valorizar, cuidar e preservar de um lugar que não lhe pertence e que será substituído por algo melhor já que, um dia, será destruído para ser refeito?






