Aprendendo a Aprender


What a wonderful world
10 Março 2008, 6:05 pm
Arquivado em: *Isabela*, Livros

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Baghdad, Iraque. Garoto com metralhadora chora no local
de um ataque de homem-bomba suicida que matou um sheik.

El mundo sigue siendo el mundo; por eso sigue habiendo los mismos conflictos en él aunque las personas hayan muerto, aseguraba Melanchton refiriéndose a Tucídides y de forma bien luterana [há quinhentos anos atrás].

Fonte: Reinhart KOSELLECK. Modernidad. In Futuro pasado. Para una semántica de los tiempos históricos, Barcelona, Paidós, 1998.



Ponto de vista - Zygmunt Bauman
29 Fevereiro 2008, 12:13 pm
Arquivado em: *Isabela*, Leituras, Livros

A praça La Défense, em Paris, um enorme quadrilátero na margem direita do Sena, concebida, comissionada e construída por François Mitterrand (como monumento duradouro de sua presidência. em que o esplendor e grandeza do cargo foram cuidadosamente separados das fraquezas e falhas pessoais de seu ocupante), incorpora todos os traços da primeira das duas categorias do espaço publico urbano, que não é, no entanto — enfaticamente não é –, “civil”. O que chama a atenção do visitante de La Défense é antes e acima de tudo falta de hospitalidade da praça: tudo o que se vê inspira respeito e ao mesmo tempo desencoraja a permanência. Os edifícios fantásticos que circundam a praça enorme e vazia são para serem admirados, e não visitados; cobertos de cima a baixo de vidro refletivo, parecem não ter janelas ou portas que se abram na direção da praça; engenhosamente dão as costas à praça diante da qual se erguem. São imponentes e inacessíveis aos olhos — imponentes porque inacessíveis, estas duas qualidades que se complementam e reforçam mutuamente. Essas fortalezas/conventos hermeticamente fechadas estão na praça, mas não fazem parte dela — e induzem quem quer que esteja perdido na vastidão do espaço a seguir seu exemplo e sentimento. Nada alivia ou interrompe o uniforme e monótono vazio da praça. Não há bancos para descansar, nem arvores sob cuja sombra esconder-se do sol escaldante. (Há, e certo, um grupo de bancos geometricamente dispostos no lado mais afastado da praça; eles se situam numa plataforma um metro do chão da praça — uma plataforma como um palco, o que faria do ato de sentar-se e descansar um espetáculo para todos os outros passantes que, diferentemente dos sentados têm o que fazer ali). De tempos em tempos, com a regularidade do horários do metrô, esses outros — filas de pedestres, como formigas apressadas — emergem de debaixo da terra, estiram-se sobre o pavimento de pedras que separa a saída do metrô de um do brilhantes monstros que cercam (sitiam) a praça e desaparecem rapidamente da vista. E a praça fica novamente vazia — até a chegada do próximo trem (p. 113).

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Praça La Défense, Paris. Outras imagens (maiores) aqui: La Defense and Grande Arche de la Defense, preste atenção principalmente nas fotos 3 e 4.

Texto extraído do livro Modernidade líquida, do sociológo polonês Zygmunt Bauman, publicado no Brasil pela Jorge Zahar Editor. Preferi não colocar o texto em itálico para assim manter os grifos do original, todos em itálico.