Arquivado em: *Isabela*, Amizade, Cinema, Figuras, John Gray, Memética, Religião
O post Memética, intertextualidade e l’ange au sourire de Reims recebeu o seguinte comentário:
Para aquele(a)s que buscam uma breve explicação sobre o que vem a ser a memética, não posso deixar de recomendar o excelente artigo de Adrian Leverkuhn.
Sobre este assunto, John Gray, no livro Cachorros de palha (p. 43), provoca:
Os memes são aglomerados de idéias e crenças que presumivelmente competem uns com os outros de forma semelhante às dos genes. Na vida da mente, bem como na evolução biológica, existe um tipo de seleção natural de memes através da qual os memes mais adaptáveis sobrevivem. Infelizmente, os memes nao são genes. Na história das idéias, não há nenhum mecanismo de seleção natural de mutações genéticas em evolução.
De qualquer modo, apenas alguém milagrosamente inocente em relação à história poderia acreditar que a competição entre idéias possa resultar no triunfo da verdade. Certamente as idéias competem umas com as outras, mas os vencedores são normalmente aqueles que têm o poder e a loucura humana do seu lado. Quando a Igreja medieval exterminou os cátaros, terão os memes católicos prevalecido sobre os memes dos hereges? Se a Solução Final [de Hitler para a questão judaica] tivesse sido ultimada, isso teria demonstrado a inferioridade dos memes hebreus?
Agora, para MEG:

Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Teresa Martin)
Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face
Thérèse: Ordinary girl, extraordinary soul - O filme.
Oração:
Santa Teresinha, a vós recorremos em nossas trevas. Alcançai-nos, para nós, para a nossa pátria, as luzes do Divino Espírito Santo para que todo o nosso íntimo seja luz e claridade, para que recebam sempre os raios benéficos e esplêndidos de quem se apresentava ao mundo como a Luz celeste. Amém.
THERE IS A BALM IN GILEAD 3:19
Artista: Jessye Norman
Piano: Dalton Baldwin
Diretor: Willis Patterson
Album: Norman - Espirituales Negros, 1979, Philips
There is a balm in Gilead
To make the wounded whole
There is a balm in Gilead
To heal the sin-sick soul
Sometimes I feel discouraged
And think my work’s in vain
But then the Holy Spirit
Revives my soul again
Don’t ever feel discouraged
For Jesus is your friend
And if you lack of knowledge
He’ll ne’er refuse to lend
If you cannot preach like Peter
If you cannot pray like Paul
You can tell the love of Jesus
And say, “He died for all”
A última palavra sobre o salto de Lord Jim, por Marlow:
Quanto a mim, deixado sozinho com a vela solitária, permaneci singularmente ignorante. Já não era jovem o suficiente para olhar deslumbrado, a cada volta, a magnificência que circunda nossos insignificantes passos no bem e no mal. Sorri ao pensar que, afinal, de nós dois, foi ele quem ainda assim teve a luz. E me entristeci. Um novo começo, disse ele? Uma lousa apagada? Como se a palavra inicial do destino de cada um de nós não estivesse gravada com caracteres imperecíveis na face de uma pedra.
Conrad, J. Lord Jim. New York: W. W. Norton e Co., 1968 apud Gray, J. Cachorros de palha: reflexões sobre humanos e outros animais. Rio de Janeiro: Record, 2005.
…e o que você fez?
Brincadeiras de lado, mas a verdade é que no fim de ano sempre vem a cobrança, nem que seja interna, uma espécie de balanço para saber se houve progresso ou não. Um acadêmico, por exemplo, verifica se conseguiu mais títulos, se publicou mais artigos e pappers. Já os religiosos, principalmente os cristãos, vão checar as caridades que fizeram durante o ano. Outros checam a(s) conta(s) no(s) banco(s). E por aí vai.
Quem não atingiu as metas se sente frustrado: aquele que não perdeu peso, aquele que não malhou, aquele que não parou de fumar, aquele que não arranjou namorada. E por aí vai.
Estas são formas de avaliação derivadas de conceitos positivistas.
Entretanto, como diz a canção, o ano termina e nasce outra vez. E assim, (res)surgem projetos: dessa vez não passei no vestibular, ok, falhei, não estudei tanto assim, mas vou me esforçar mais, fazer cursinho, revisar tudo e no próximo eu passo. Não é assim?
Eu acho interessante. Porém, como todos, checo mentalmente o que fiz e não fiz, traço minhas metas e faço minhas promessas de fim de ano. Mas também lembro que um dos meus filósofos favoritos, que inclusive tem até tag neste site, *John Gray*, no final do livro Cachorros de palha diz:
Outros animais não precisam de um propósito na vida. Uma contradição em si mesmo, o animal humano não pode passar sem um. Será que não podemos pensar o propósito da vida como sendo simplesmente ver?
Assim, deixo esta pergunta de fim de ano para vocês. E quem puder, leia o livro.



O banner foi trocado para o período natalino e é um pohlednice de Jirí Slíva (Pilsen, 1947) que foi levemente alterado para caber no espaço do topo. Mas que diabos é um pohlednice? *Creio eu* que na língua dele é um cartão, tipo e-card. Este retrata a jazz band dos três reis magos: Gaspar (Kaspar), Melquior e Baltasar.
Ah, já ia esquecendo! O Google é bastante criativo em seus logotipos comemorativos, mas ainda não compreendi o sentido deste: um cara que explode um canhão e sai um outro enrolado em um tapete vermelho.

Passemos à música. Um dos discos de Natal que mais gosto é o da trilha sonora do filme do Snoopy. Ele é leve como champagne: não é perfeito pois tem vocal infantil em uma ou duas músicas, mas é sobretudo estilo piano-jazz com canções como O Tannenbaum, Christmas time is here, além de Greenleaves e Pour Elise também.
É uma boa dica pois é um disco que não vai te deixar para baixo (canções de natal as vezes fazem isso). Por ser suave, não interfere, não disputa espaço: a família pode conversar a vontade e ele dará um ritmo natalino ao fundo.
Ouça a versão de O Tannenbaum (Wagner) que está no portal domínio público e depois a do disco do Snoopy. É isto que fascina na música: a liberdade e possibilidade de diversos arranjos e interpretações, cada uma tocante — desculpem o trocadilho — (ou não) a seu modo.
O TANNENBAUM 05:08
Album: Vince Guaraldi Trio - 1965 - A Charlie Brown Christmas
Autor: Wilhelm Richard Wagner
Boas festas.
Primeiro foi Rilke & Rodin (2006) de Bernard Malaterre com Jacques Bondoux e Cyril Descours no Eurochannel: documentário dramático de um Rainer jovem, curioso, desejoso de aprender com o mestre Rodin, como ele o chamava. Em 1902 o ainda desconhecido Rainer Maria Rilke vai a Paris para escrever sobre o já famoso René-François-Auguste Rodin. Rilke o coloca num pedestal. Lembro que, quando garota, li de Myrtes Mathias: “Não se endeusam os homens. Um dia o ídolo cai do seu altar.” Acho que Rilke sentiu isso na pele. Mas veja quanta graça e beleza no que ele diz a Rodin: “ao redor do meu coração tem um silêncio profundo onde suas palavras são erguidas como estátuas” e “sua bondade é uma ave branca que voa ao meu redor antes de pousar no meu ombro”. Rodin, por sua vez, apresenta e justifica uma arte desenvolvida com esforço: “a única forma de alcançar a arte é com o trabalho”, diz. Sobre essa idéia de arte valorizada pelo trabalho, Adorno & Horkheimer escreveram em Dialética do Esclarecimento:
Platão baniu a poesia com o mesmo gesto com que o positivismo baniu a doutrina das Idéias. Com sua arte celebrada, Homero, segundo se diz, não levou a cabo nem reformas públicas nem privadas, não ganhou nenhuma guerra nem fez nenhuma invenção. Não sabemos, diz-se, da existência de numerosos seguidores que o tenham honrado ou amado. A arte teria, primeiro, que mostrar a sua utilidade [...]. Mesmo na distância renunciadora da vida, enquanto arte, ele permanece desonroso; as pessoas que o praticam tornam-se vagabundos, nômades sobreviventes que não encontram pátria entre os que se tornaram sedentários. A natureza não deve mais ser influenciada pela assimilação, mas deve ser dominada pelo trabalho (Grifos meus).

A quem se interessar, aqui as datas e horários quando o Eurochannel reexibirá o documentário: 05/07-04:00 05/07-22:30 06/07-11:00 13/07-06:00 15/07-01:30 23/07-00:00 31/07-22:00 01/08-09:00 04/08-07:00 11/08-10:30 15/08-02:00 15/08-17:30.
O Eurochannel também exibiu Mademoiselle Gigi (2005) de Caroline Huppert com Juliette Lamboley, Macha Méril, Françoise Fabian, Alexis Loret. O filme tem boa trilha sonora, com chansons francesas. Coincidentemente, ontem o canal TCM exibiu a versão da novela de Collete, o musical de Vicente Minelli de 1958. As datas em que o drama de Huppert será reexibido pelo Eurochannel, até o final do mês de agosto: 19/07-00:00 20/07-07:00 29/07-04:00 29/07-22:00 30/07-11:00 06/08-00:00 06/08-18:00 18/08-00:30 19/08-07:00 29/08-04:00 29/08-22:00 30/08-11:00.

Para coroar a semana, o canal Globo News reexibiu a entrevista feita com o filósofo John Gray (por favor, não é o John Gray de livros de auto-ajuda e de O segredo) em 2006 para o Milênio. Na entrevista John Gray reafirma que a crença no progresso é uma ilusão. Diz que o saber é a melhor ferramenta dos homens mas pode escravizá-los. Fala que o conhecimento não altera a natureza humana, ou seja, em decorrência os homens não terão mais sabedoria, bom-senso, autoconhecimento, humildade… Tudo o que o conhecimento provoca é poder. Poder, e não controle sobre a natureza. Muito bom.
E inspirada pela frase de Rilke, trago de Aquilino Ribeiro, Lápides Partidas, c. 10, p. 249, ed. 1945:
Pousam (as pombas) no chafariz e então me digo que o chafariz foi feito para elas, concebido por uma alma engenhosa de naturalista de modo a fornecer-lhes um ponto de apoio especioso em seus voejos.
Voejos… bonita palavra!
No início dos anos 1930, Antoine Roquentin, personagem-autor do livro-diário A náusea (1938), de Jean-Paul Sartre, após haver viajado pela Europa-Central, África do Norte e extremo oriente, tinha se fixado havia três anos em Bouville para aí concluir suas pesquisas históricas sobre o marquês de Rollebon. Na biblioteca de Bouville, conheceu Ogier P… — o Autodidata — e um dia combinaram de almoçar e bater um papo. Extraio dessa conversa o fragmento a seguir, iniciado com uma pergunta do Autodidata:
– Li há alguns anos um livro de um autor americano que se chamava A vida vale a pena ser vivida? Não é essa a pergunta que o senhor se faz?
Evidentemente não, não é esta a pergunta que me faço. Mas não quero explicar nada.
– Ele concluía — diz o Autodidata em tom de consolo — optando pelo otimismo voluntário. A vida tem sentido, se quisermos lhe dar um. Em primeiro lugar é preciso agir, se lançar num empreendimento qualquer. Se em seguida refletirmos, a sorte está lançada, estamos comprometidos. Não sei o que é que o senhor pensa a esse respeito.
– Nada — digo.
Ou por outra, penso que é precisamente o tipo de mentira que utilizam para si mesmos, perpetuamente, os caixeiros-viajantes, os dois jovens e o senhor de cabelos brancos [pessoas que estavam no restaurante].
O Autodidata sorri com um pouco de malícia e muita solenidade:
– Também não sou dessa opinião. Acho que não temos que ir buscar tão longe o sentido de nossa vida.
– Como?
– Há uma finalidade, senhor, há uma finalidade… há os homens.
É verdade: estava esquecendo que ele é um humanista. Permanece um momento em silêncio, o tempo de fazer desaparecer cuidadosamente, inexoravelmente, a metade de sua carne estufada e e uma fatia inteira de pão. “Há os homens…” Esse homem sensível acaba de pintar um auto-retrato. Sim, mas não sabe se expressar bem. É indiscutível que seus olhos transbordam de alma, mas a alma não basta. No passado freqüentei humanistas parisienses, ouvi-os dizer mais de cem vezes: “há os homens” e era diferente! Virgan era inigualável. Tirava os óculos, como para se mostrar nu em sua carne de homem, me encarava com seus olhos comoventes, com um olhar grave e fatigado, que parecia me despir para captar minha essência humana, depois murmurava melodiosamente: “Há os homens, meu velho, há os homens.” E dava ao há uma espécie de força canhestra, como se seu amor pelos homens, perpetuamente novo e admirado, se enredasse em suas asas gigantescas. A mímica do Autodidata não adquiriu esse aveludado; seu amor pelos homens é ingênuo e bárbaro: um humanista de província.
Realmente, há os homens, que por terem um cérebro privilegiado, consideram-se superiores às outras espécies e com o direito de subjugá-las, até mesmo as destruir. Há os homens, que desde a filosofia de Platão ao advento da cristandade, do Iluminismo a Nietzsche, forjou o pensamento ocidental baseado em crenças arrogantes e equivocadas sobre o lugar dos seres humanos no mundo. Filosofias como o liberalismo e o marxismo pensam a humanidade como uma espécie cujo destino é transcender seus limites naturais e conquistar a terra (da orelha de Cachorros de palha, John Gray, Editora Record, 2005). Há os homens que, se nenhuma outra certeza lhes restar, saberão sempre que são humanos (da orelha de Então você pensa que é humano? de Felipe Fernándes-Armesto, Companhia das Letras, 2007). Há os homens que pensam ser senhores do seu destino. Há os homens, e por isso a Terra já não é a mesma.
Ah, os homens!
John Gray, pensador britânico e autor do livro Cachorros de palha, concedeu entrevista à revista Época (atenção: a foto da entrevista é de outro John Gray, escritor americano de livros de comportamento e relacionamento. Que falha da revista!!! Tsc tsc… A Wikipédia faz a desambiguação e a foto dele pode ser vista aqui.
No final da entrevista, quando perguntaram se ele tinha alguma palavra de alento sobre o destino da humanidade, respondeu: “Essa não é minha área (risos). Recomendo que as pessoas busquem a religião para isso”.

Varlam Shalamov, que, segundo Gustaw Herling, um sobrevivente do gulag, era “um escritor diante do qual toda a intelligentsia literária do gulag, incluindo Solzhenitsyn, deve curvar a cabeça” foi preso pela primeira vez em 1929, quando tinha apenas 22 anos e ainda era um estudante de direito na Universidade de Moscou. Foi condenado a três anos de trabalhos forçados em Solovki, uma ilha que havia sido transformada de um monastério ortodoxo em um campo de concentração soviético. Em 1937 foi preso novamente e condenado a cinco anos em Kolyma, no nordeste da Sibéria. Segundo estimativas conservadoras, cerca de três milhões de pessoas pereceram nesses campos árticos, e um terço ou mais dos prisioneiros morria a cada ano. Shalamov passou 17 anos em Kolyma. Seu livro Kolyma Tales é escrito num estilo preciso, tchekoviano, sem nenhum tom didático como o encontrado nos trabalhos de Solzhenitsyn. Ainda assim, em ocasionais e lacônicas digressões e nas entrelinhas, existe uma mensagem: “quem quer que pense que pode se comportar de outra forma nunca tocou o verdadeiro fundo da vida; nunca teve que dar seu último suspiro em ‘um mundo sem heróis’.”
Kolyma era um lugar no qual a moralidade havia deixado de existir. Naquilo que Shalamov secamente chamou de “contos de fada literários”, profundos vínculos humanos são forjados sob a pressão da tragédia e da necessidade, mas na verdade nenhum vínculo de amizade ou simpatia era forte o bastante para sobreviver à vida em Kolyma: “Se a tragédia e a necessidade puseram pessoas juntas e fizeram surgir uma amizade entre elas, então a necessidade não era extrema e a tragédia não era grande”, escreveu Shalamov. Com as vidas drenadas de todo sentido, poderia parecer que os prisioneiros não tivessem nenhuma razão para prosseguir; mas a maior parte estava fraca demais para aproveitar as chances que apareciam, de tempos em tempos, de terminar suas vidas de uma maneira que tivessem escolhido: “Há tempos em que um homem tem que se apressar para não perder a vontade de morrer.” Vencidos pela fome e pelo frio, moviam-se, insensivelmente, na direção de uma morte sem sentido. Shalamov escreveu: “Existe muita coisa lá que um homem não deve saber, não deve ver; e, se vir, para ele é melhor morrer.” Após seu retorno dos campos, passou o resto de sua vida recusando-se a esquecer o que havia visto. Descrevendo sua viagem de volta a Moscou, escreveu:Estava como se tivesse acabado de acordar de um sonho que havia durado anos. E, de repente, tive medo, e senti um suor frio em meu corpo. Estava aterrorizado pela terrível força do homem, seu desejo e sua habilidade de esquecer. Percebi que estava pronto para esquecer tudo, para apagar vinte anos de minha vida. E, quando compreendi isso, conquistei a mim mesmo; soube que não iria permitir que minha memória esquecesse tudo que eu havia visto. E recuperei a calma e caí no sono.
Na pior das circunstâncias, a vida humana não é trágica, mas desprovida de sentido. A alma é quebrada, mas a vida persiste. Ao falhar a vontade, a máscara da tragédia cai ao chão. O que permanece é apenas sofrimento. O último sofrimento não pode ser contado. Se os mortos pudessem falar, não os entenderíamos. Somos sábios por nos apegarmos a um arremedo de tragédia: a verdade desvelada apenas nos cegaria. Como Czeslaw Milosz escreveu:
Nem-um
Impunemente dá a si mesmo os olhos de um deus.Shalamov foi libertado de Kolyma em 1951, mas proibido de deixar a área. Em 1953 teve permissão de deixar a Sibéria, mas impedido de viver numa cidade grande. Voltou a Moscou em 1956 para descobrir que a esposa o havia deixado e a filha o havia rejeitado. Em seu aniversário de 75 anos, vivendo só, numa casa para idosos, cego, quase surdo e falando com grande dificuldade, ditou para seu único amigo que ocasionalmente o visitava diversos poemas curtos que foram publicados no exterior. Como resultado, foi tirado do asilo e, resistindo o tempo todo –talvez pensando que estivesse sendo levado de volta para Kolyma –, internado num hospital psiquiátrico. Três dias mais tarde, em 17 de janeiro de 1982, morreu “num quarto pequeno, com grades nas janelas, diante de uma porta acolchoada”.
Texto retirado do capítulo Os vícios da moralidade do livro Cachorros de palha: reflexões sobre humanos e outros animais de John Gray publicado no Brasil pela editora Record em 2005.
Dica de filme: Honra e Coragem - As Quatro Plumas (The Four Feathes). Dirigido por Shekhar Kapur. Com: Heath Ledger, Wes Bentley, Kate Hudson, Djimon Hounsou, Alex Jennings e Michael Sheen. Embora o filme tome partido do exército inglês, ao retratar seus soldados como heróis e os nativos — que tiveram suas terras invadidas pela Inglaterra imperialista e estavam apenas lutando por sua liberdade — como vilões, algumas cenas têm a ver com o que Shalamov passou ao mostrar grande quantidade de prisioneiros amontoados, sem espaço para se mexerem, passando fome, fazendo trabalhos forçados, embora muitos estivessem doentes e, mesmo assim, como disse John Gray: “a alma é quebrada, mas a vida persiste”. A fotografia do filme, as tomadas aéreas do deserto, o figurino e a interpretação de Djimon Hounsou são excelentes.
É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar do sentimento deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus próprios pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.
Encontrei esta pérola de Fernando Pessoa no livro Cachorros de palha - reflexões sobre humanos e outros animais, de John Gray.
