
Sueca, gosta de música brasileira e canta em português praticamente sem sotaque. Tem um disco de 2001 - Brasilien - com músicas brasileiras cantadas em sueco. Ouça aqui “Canto de Ossanha” e “At last”, excelentes, que peguei do disco Multitude de Tommy Berndtsson. Ah, o site dela é lindo.
CANTO DE OSSANHA 05:28
Autor: Vinicius de Moraes-Baden Powell
Artista: Lina Nyberg
Album: Multitude
AT LAST 06:26
Artista: Lina Nyberg
Album: Multitude
Laura Cantrell

A música “Trains and boats and planes” de Burt Bacharach-Hal David está disponível para download nos sites iTunes, Amazon e eMusic e estava em primeiro lugar neste último. Laura Cantrell que deu um tempo de três anos para cuidar da filhota, voltou muito bem, seu disco é ótimo.
TRAINS AND BOATS AND PLANES 04:14
Autores: Burt Bacharach-Hal David
Artista: Laura Cantrell
Album: Trains and Boats and Planes
Lisa Ono
Faz muito sucesso no Japão. Canta tudo em ritmo de bossa-nova: canções francesas e italianas, boleros e até soul music. “You’ve got a friend” ficou particularmente bonita em sua voz. Atente para algo interessante: a introdução de “Trains and boats and planes” com Laura Cantrell remete ao refrão de “You’ve got a friend”. Eu acho.
YOU’VE GOT A FRIEND 04:37
Artista: Lisa Ono
Album: Soul & Bossa
O compositor Richard Rodgers (1902-1979) e o letrista Lorenz Hart (1895-1943) não se tornaram tão conhecidos como, por exemplo, Cole Porter e George Gershwin. Felizmente não se pode dizer o mesmo sobre suas canções.
Manhattan, Blue Moon, Easy To Remember, My Funny Valentine, The Lady is Tramp, Have You Met Miss Jones?, Bewitched, Bothered and Bewildered, Where or when… quem não conhece ao menos um destes standards? São da dupla Rodgers e Hart.
Where or when é uma linda composição feita para o musical Babes in Arms em 1937 e já foi gravada por mais de cem intérpretes, entre eles Duke Ellington, Julie Andrews, Nat King Cole, Erroll Garner, Frank Sinatra, Julie London e Peggy Lee - nos tempos em que cantava com a orquestra de Benny Goodman.
Cada uma dessas interpretações lhe deu uma roupagem especial e é por isso que, como disse Oscar Wilde, a música é o tipo de arte mais perfeita, pois nunca revela seu último segredo.
Gosto muito das interpretações de Frank Sinatra e de Peggy Lee. Mas, se tiver que escolher especialmente uma, fico com a da Shepheard’s Hotel Jazz Orchestra pelos solos de clarinete e violino e por possuir um sinergismo que provoca agradável comoção e nostalgia.
Por causa desta interpretação, tenho procurado outras gravações dessa orquestra, até mesmo mais informações de *onde ou quando* foi feita a versão utilizada no filme O paciente inglês (1996) – que, inclusive, tem uma trilha sonora recheada de coisas boas como Fred Astaire e Ella Fitzgerald cantando Cheek to cheek de Irving Berlin, a interpretação de Benny Goodman para Wang wang blues e One o’clock jump e o piano de Julie Steinberg na Aria de The Goldberg Variations de J. S. Bach — mas não encontrei mais nada. Só mesmo perguntando ao Gabriel Yared.
WHERE OR WHEN
Música Richard Rodgers / Letra Lorenz Hart
Artista: Shepheard’s Hotel Jazz Orchestra
Album: O paciente inglês - Trilha sonora original
Além de muitas óperas, o baixo-barítono (e maestro) Sir Willard White (1946) tem uma bonita e interessante interpretação para Bidin’ my time que vale a pena ser compartilhada porque é um Gershwin, por causa da *risada*, devido ao solo de gaita e porque ao falar sobre o que se vai fazer no próximo ano e este ano tem a ver com este início de 2008.
BIDIN’ MY TIME 3:30
Autores: George Gershwin / Ira Gershwin
Intérprete: Willard White
Album: The Glory of Gershwin
Some fellers like to tip-toe through the tulips,
Some fellers go on singin’ in the rain,
Some fellers keep on painting skies with sunshine,
Some fellers go on singin’ down the lane.
I’m bidin’ my time,
‘Cause that’s the kinda guy I’m.
While other folks grow dizzy
I keep busy
Bidin’ my time
Next year, next year,
Something’s bound to happen,
This year, this year,
I’ll just keep on nappin’
And bidin’ my time,
‘Cause that’s the kinda guy I’m.
There’s no regrettin’
When I’m settin’
Bidin’ my time.
Ouça aqui:
Para quem ainda não o conhecia, proponho um jogo: preste atenção em seu título e nome: Sir Willard White. Agora, depois que ouviu sua voz e a risada, imagine como ele é, então clique aqui para conhecê-lo e checar se bateu com o que você imaginou.
Ah, aproveitando, conheça a jukebox dos irmãos Gershwin. É só entrar no site, pular a introdução e clicar em jukebox. Tem Peter Gabriel, Dinah Washington, Billie Holiday com Embraceable you, John Pizzarelli com But not for me e beeeeem mais.
Ah2, também não poderia esquecer da homenagem que Woody Allen fez aos irmãos Gershwins com o filme Manhattan (1979). A excelente trilha sonora deste filme, além de introdução à música de George e Ira Gershwin, ressalta e enriquece cenas memoráveis.
Por exemplo, quando Isaac (Woody Allen) *se dá conta de algo* e corre com Strike Up The Band para ofegante chegar ao prédio de Tracy *Minnie Mouse* (Mariel Hemingway) ao som da belíssima But not for me. Repare, no video abaixo quando se dá a quebra de ritmo com/através das duas músicas, aproximadamente no intervalo 0:20–0:30. É por detalhes como estes, tão sutis, que Allen é genial (no sentido de gênio mesmo).
Antes, porém, os créditos da trilha sonora.
Manhattan (1979)
Complete Music Credits
Fonte: Woody Allen Movies
Music by George Gershwin:
Rhapsody in Blue
Performed by The New York Philharmonic
Conducted by Zubin Mehta
Music Adapted and Arranged by Tom Pierson
Arranger for Buffalo Philharmonic Don Rose
Audio Producer for the New York Philharmonic Andrew Kazdin
Music Recording Engineers Ray Moore, Bud Graham
Rhapsody in Blue Piano Soloist Paul Jacobs
THE NY Philharmonic Zubin Mehta, Music director perform:
Rhapsody in Blue
Love is Sweeping the Country
Land of the Gay Caballero
Sweet and Low Down
I’ve Got a Crush on You
Do-Do-Do
‘Swonderful
Oh, Lady be Good
Strike Up the Band
Embraceable You
The Buffalo Philharmonic Michael Tilson Thomas, Music Director perform:
Someone to Watch Over Me
He Loves and She Loves Me
But Not for Me
Agora, a cena (06:01):
No video acima dá para perceber a mudança de ritmo porém, la gran final, quando Rhapsody in blue é retomada e os créditos, quando Embraceable you entra, são cortados.
Já este video, embora corte boa parte do diálogo — começa quando Isaac questiona o tempo que Tracy vai ficar em Londres: “Six months, are you kidding?! Six months you’re gonna go for?!” — tem um audio bem melhor e dá para ouvir com clareza quando Tracy diz uma das frases mais tocantes: “Six months isn’t so long. Not everyone gets corrupted. You have to have a little faith in people”. E Isaac já não tem mais nada a dizer, fica calado por vários segundos balançando a cabeça enquanto um violino parece lhe dizer: “Ouviu isso?”. Então ele sorri e a música de George Gershwin (Rhapsody in blue) fecha a cena.
(Atualizado)
…e o que você fez?
Brincadeiras de lado, mas a verdade é que no fim de ano sempre vem a cobrança, nem que seja interna, uma espécie de balanço para saber se houve progresso ou não. Um acadêmico, por exemplo, verifica se conseguiu mais títulos, se publicou mais artigos e pappers. Já os religiosos, principalmente os cristãos, vão checar as caridades que fizeram durante o ano. Outros checam a(s) conta(s) no(s) banco(s). E por aí vai.
Quem não atingiu as metas se sente frustrado: aquele que não perdeu peso, aquele que não malhou, aquele que não parou de fumar, aquele que não arranjou namorada. E por aí vai.
Estas são formas de avaliação derivadas de conceitos positivistas.
Entretanto, como diz a canção, o ano termina e nasce outra vez. E assim, (res)surgem projetos: dessa vez não passei no vestibular, ok, falhei, não estudei tanto assim, mas vou me esforçar mais, fazer cursinho, revisar tudo e no próximo eu passo. Não é assim?
Eu acho interessante. Porém, como todos, checo mentalmente o que fiz e não fiz, traço minhas metas e faço minhas promessas de fim de ano. Mas também lembro que um dos meus filósofos favoritos, que inclusive tem até tag neste site, *John Gray*, no final do livro Cachorros de palha diz:
Outros animais não precisam de um propósito na vida. Uma contradição em si mesmo, o animal humano não pode passar sem um. Será que não podemos pensar o propósito da vida como sendo simplesmente ver?
Assim, deixo esta pergunta de fim de ano para vocês. E quem puder, leia o livro.



O banner foi trocado para o período natalino e é um pohlednice de Jirí Slíva (Pilsen, 1947) que foi levemente alterado para caber no espaço do topo. Mas que diabos é um pohlednice? *Creio eu* que na língua dele é um cartão, tipo e-card. Este retrata a jazz band dos três reis magos: Gaspar (Kaspar), Melquior e Baltasar.
Ah, já ia esquecendo! O Google é bastante criativo em seus logotipos comemorativos, mas ainda não compreendi o sentido deste: um cara que explode um canhão e sai um outro enrolado em um tapete vermelho.

Passemos à música. Um dos discos de Natal que mais gosto é o da trilha sonora do filme do Snoopy. Ele é leve como champagne: não é perfeito pois tem vocal infantil em uma ou duas músicas, mas é sobretudo estilo piano-jazz com canções como O Tannenbaum, Christmas time is here, além de Greenleaves e Pour Elise também.
É uma boa dica pois é um disco que não vai te deixar para baixo (canções de natal as vezes fazem isso). Por ser suave, não interfere, não disputa espaço: a família pode conversar a vontade e ele dará um ritmo natalino ao fundo.
Ouça a versão de O Tannenbaum (Wagner) que está no portal domínio público e depois a do disco do Snoopy. É isto que fascina na música: a liberdade e possibilidade de diversos arranjos e interpretações, cada uma tocante — desculpem o trocadilho — (ou não) a seu modo.
O TANNENBAUM 05:08
Album: Vince Guaraldi Trio - 1965 - A Charlie Brown Christmas
Autor: Wilhelm Richard Wagner
Boas festas.
A Folha de São Paulo traz mais uma coleção, agora de jazz. São 20 livros-CD ilustrados, no formato 138 cm x 123 cm com clássicos que marcaram e estrelas do jazz. A partir do dia 30 de setembro de 2007, os dois primeiros títulos: Nat King Cole e Herbie Hancock — numa promoção leve 2 e pague 1 — por R$ 11,90*.
Atenção: assinante Uol ou da Folha de São Paulo terá desconto se comprar através do site podendo, inclusive, parcelar no cartão de crédito em até 6 vezes. Neste caso, pelas contas que fiz, mesmo com o frete de R$ 22,40, se comprar a coleção completa terei uma “economia” de R$ 51,30 em relação ao total que pagaria ao jornaleiro e cada livro-CD sairá por R$ 10,64.
Já para quem mora nos estados de SP, MG, PR e RJ, melhor ainda: o frete é grátis na compra de lotes ou de toda a coleção e cada livro-CD sairá por R$ 9,52.
Quanto aos artistas escolhidos, senti falta de Count Basie. Eu sei que só são vinte, não dá para colocar todos, mas trocaria Nat King Cole por ele, com certeza. Oh, lady be good! Trocaria, só por April in Paris — clássica, como diz a coleção.
Ah, gostei da campanha de marketing criada pela Africa. Veja o comercial para a TV que já está no Youtube:
*preço válido para os estados de SP, RJ, MG e PR, nos estados SC, DF, ES, MS, RS, GO, BA e MT o produto custará R$ 12,90 e para os demais estados o preço será de R$ 13,90.
Atualização (12/11/2007): Recebi o primeiro lote e realmente, como disse o comentário a este post, a música no final do comercial é Cantaloup Island de Herbie Hancock.
A introdução do livro de Hancock — o volume 2 da coleção — diz que Cantaloop (Flip Fantasia), sucesso da banda inglesa de jazz-rap US3 em 1994 e até hoje é executado nas radios, é um remix de Cantaloup Island. Diz também que o piano, misturado a efeitos eletrônicos, foi sampleado da gravação original de Herbie Hancock de 1964 para a gravadora Blue Note.
Aproveito esta atualização para inserir as duas versões.
CANTALOOP (Flip Fantasy) 4′12
US3
Album: Rare Requests, Volume 1 - Smooth Jazz
CANTALOUP ISLAND 5′29
Herbie Hancock
Album: Herbie Hancock - Coleção Folha Clássicos do Jazz, vol. 2
Vários trompetistas se destacaram na história do jazz. Quatro deles, os mais (re)conhecidos são Louis Armstrong, Miles Davis, Chet Baker e Wynton Marsalis, todos estrelas no céu do jazz.
Mas você já ouviu falar em Jon-Erik Kellso? Já o ouviu tocar? Se não, não sabe o que está perdendo. Ele é muito bom. E como sabe escolher (e criar) músicas!
Kellso começou a tocar profissionalmente muito jovem, aos onze anos, então veja quanta estrada já tem, pois hoje está com 43 anos. Já gravou com e para feras do jazz: Vince Giordano’s Nighthawks, Ralph Sutton, Dan Barrett, Howard Alden, Milt Hinton, Dick Hyman, Linda Ronstadt, Banu Gibson, Madeleine Peyroux, Leon Redbone, Ken Peplowski, Bob Wilbur e Kenny Davern. Também pode ser ouvido em trilhas sonoras como O aviador (The Aviator), com a Vince Giordano’s Nighthawks.
Seu mais novo CD, Blue Roof Blues: A Love Letter to New Orleans com Evan Christopher-clarinet, Matt Munisteri-guitar/banjo/vocal, Danton Boller-bass e Marion Felder-bateria é uma homenagem a amigos de Nova Orleans e todos aqueles afetados pelo Furacão Katrina.
Mais sobre ele em seu próprio site, água na fonte e, sem mais delongas, duas agradáveis músicas do seu novo album
JUST LIKE THAT 6′32
Jon-Erik Kellso
Album: Blue Roof Blues: A Love Letter to New Orleans
JUST LIKE THIS 4′19
Jon-Erik Kellso / Evan Christopher
Album: Blue Roof Blues: A Love Letter to New Orleans

(Alterado)
Para Cheek to Cheek (Irving Berlin, 1888-1989) tenho duas interpretações favoritas: a tradicional de Fred Astaire e a de Ella Fitzgerald por sua voz, arranjo e swing. Ambas estão na trilha sonora de O paciente inglês (1996).
Falando em filme, para a As Time Goes By (Herman Hupfeld, 1894-1951) de Casablanca (1942) ninguém tira o trono da interpretação de Dooley Wilson e Ingrid Bergman. Não porque seja um passeio, mas por ser marcante. Como esquecer o memorável diálogo? Embora quem tocou foi Elliot Carpenter (pianista, compositor, maestro, etc) posicionado atrás da câmera para que Wilson pudesse vê-lo e assim imitar seus movimentos. Desse modo, corrijo: ninguém tira o trono de Ilsa Lund e Sam = Wilson + Carpenter, não é verdade?
Em Gilda (1946), caso semelhante e outra cena antológica: quando ela canta Put The Blame on Mame Boys (Allan Roberts/Doris Fisher) e faz aquele striptease com uma luva. Na verdade a voz é de Anita Ellis que também interpreta no mesmo filme a música Amado mio. É Gilda, neste caso, misto de Rita Hayworth + Anita Ellis quem canta, afinal.
É claro que essa pequena amostra não esgota a diversidade de interpretações para as músicas citadas, porém dá uma idéia de como a mistura de letra, melodia, intérprete(s) — com suas idiossincrasias, peculiaridades, timing, etc — arranjo, drogas(?!), tecnologia, estilo e criatividade possibilita inúmeras roupagens para a “obra (mais) pura” (letra e música) que pode ficar excepcional (summa cum laude), “ouvível” ou até trash.
E uma mesma música pode ser interpretada de diferentes formas, cada uma delas remetendo a sensações e emoções até díspares. É fácil perceber esse “choque” de interpretações nas versões dadas a Easy To Love (Cole Porter, 1891-1964) por Erroll Garner que a toca com leveza e alegria enquanto Ella Fitzgerald a interpreta de forma comovente. Parecem músicas diferentes. Será que não são?
Quando Billie Holiday entra em cena, sempre lhe dou a primazia. E merecidamente. É o caso de I Get Along Without You Very Well de Hoagy Carmichael — autor da bela Stardust — gravada pela musa no álbum Lady in Satin dezessete meses antes de sua morte, com uma voz consumida, mas carregada de todas as emoções, vivências, tristezas, fracassos, amores, desamores y otras cositas más. Vários artistas gravaram esta canção, mas a interpretação da lady é insuperável. Dou quatro exemplos, como a gravação de Eileen Farrell que se torna “ouvível” diante da de Billie Holiday; já Charlie Watts, perde feio; Chet Baker que é maravilhoso, nessa música não ganha e até Frank Sinatra fica atrás. Reconheço o excelente trabalho de Ray Ellis e sua orquestra, mas ninguém fala “What a guy!” como Billie Holiday. Vou ficar devendo a de Charlie Watts que sempre é tocada no canal de audio Standarts da Sky, uma excelente dica, por sinal.
Outro caso é Solitude (Ellington-Mills-De Lange): Nina Simone interpreta very, very well, mas o back vocal ficou démodé; Thelonious Monk deu um pouco de suavidade; a de Diane Reeves está no fantástico álbum do filme Good Night, and Good Luck e Armstrong interpreta com aquele jeitão dele de sempre. Porém, a de Billie Holiday nunca será suplantada. Só ouvindo para saber por quê.
