Aprendendo a Aprender


À margem dos dias
1 Outubro 2008, 2:50 pm
Arquivado em: *Isabela*, Cinema

Imagine uma mulher, Julie, que ama e é correspondida por Claude, por quem abriu mão do trabalho e mudou de Paris para o interior da França. Mas, um dia, Claude sofre um acidente de automóvel, fica em coma e quando acorda não lembra mais que ama seu amor. Para completar, Sandrine, a ex-esposa de quem ele ainda não se divorciou, aparece e quer levar o ex para casa dela, alegando os filhos.

O filme aborda a luta de Claude para se recuperar em uma clínica e sua angústia por não se lembrar, por se sentir confuso. O dilema de Julie é deixá-lo com Sandrine e recomeçar sua vida… ou reconquistar seu amor?

Se você tem o EuroChannel, vá na programação, agende e assista À margem dos dias (En Marge des Jours, 2007), adaptação de uma narrativa autobiográfica para a TV por Emmanuel Finkiel (Viagens, 1999), que foi diretor assistente de Kieslowski na Trilogia das Cores.

Trailler no Youtube

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Meme místico
22 Julho 2008, 11:42 am
Arquivado em: *Isabela*, Amizade, Cinema, Figuras, John Gray, Memética, Religião

O post Memética, intertextualidade e l’ange au sourire de Reims recebeu o seguinte comentário:

Para aquele(a)s que buscam uma breve explicação sobre o que vem a ser a memética, não posso deixar de recomendar o excelente artigo de Adrian Leverkuhn.

Sobre este assunto, John Gray, no livro Cachorros de palha (p. 43), provoca:

Os memes são aglomerados de idéias e crenças que presumivelmente competem uns com os outros de forma semelhante às dos genes. Na vida da mente, bem como na evolução biológica, existe um tipo de seleção natural de memes através da qual os memes mais adaptáveis sobrevivem. Infelizmente, os memes nao são genes. Na história das idéias, não há nenhum mecanismo de seleção natural de mutações genéticas em evolução.
De qualquer modo, apenas alguém milagrosamente inocente em relação à história poderia acreditar que a competição entre idéias possa resultar no triunfo da verdade. Certamente as idéias competem umas com as outras, mas os vencedores são normalmente aqueles que têm o poder e a loucura humana do seu lado. Quando a Igreja medieval exterminou os cátaros, terão os memes católicos prevalecido sobre os memes dos hereges? Se a Solução Final [de Hitler para a questão judaica] tivesse sido ultimada, isso teria demonstrado a inferioridade dos memes hebreus?

Agora, para MEG:


Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Teresa Martin)
Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face

Thérèse: Ordinary girl, extraordinary soul - O filme.

Oração:

Santa Teresinha, a vós recorremos em nossas trevas. Alcançai-nos, para nós, para a nossa pátria, as luzes do Divino Espírito Santo para que todo o nosso íntimo seja luz e claridade, para que recebam sempre os raios benéficos e esplêndidos de quem se apresentava ao mundo como a Luz celeste. Amém.

THERE IS A BALM IN GILEAD 3:19
Artista: Jessye Norman
Piano: Dalton Baldwin
Diretor: Willis Patterson
Album: Norman - Espirituales Negros, 1979, Philips

There is a balm in Gilead
To make the wounded whole
There is a balm in Gilead
To heal the sin-sick soul

Sometimes I feel discouraged
And think my work’s in vain
But then the Holy Spirit
Revives my soul again

Don’t ever feel discouraged
For Jesus is your friend
And if you lack of knowledge
He’ll ne’er refuse to lend

If you cannot preach like Peter
If you cannot pray like Paul
You can tell the love of Jesus
And say, “He died for all”



O turbilhão da vida
21 Abril 2008, 12:14 pm
Arquivado em: *Isabela*, Cinema, Música

Jeanne Moureau - Jules e Jim

LE TOURBILLON DE LA VIE (From The Film “Jules Et Jim”) 2:01
Autor: Georges Delerue
Artista: Jeanne Moreau
Album: Jeanne Moreau

Elle avait des bagues à chaque doigt,
Des tas de bracelets autour des poignets,
Et puis elle chantait avec une voix
Qui, sitôt, m’enjôla.
Elle avait des yeux, des yeux d’opale,
Qui me fascinaient, qui me fascinaient.
Y avait l’ovale de son visage pâle
De femme fatale qui m’fut fatale {2x}.
On s’est connus, on s’est reconnus,
On s’est perdus de vue, on s’est r’perdus d’vue
On s’est retrouvés, on s’est réchauffés,
Puis on s’est séparés.
Chacun pour soi est reparti.
Dans l’tourbillon de la vie
Je l’ai revue un soir, hàie, hàie, hàie
Ça fait déjà un fameux bail {2x}.
Au son des banjos je l’ai reconnue.
Ce curieux sourire qui m’avait tant plu.
Sa voix si fatale, son beau visage pâle
M’émurent plus que jamais.
Je me suis soûlé en l’écoutant.
L’alcool fait oublier le temps.
Je me suis réveillé en sentant
Des baisers sur mon front brûlant {2x}.
On s’est connus, on s’est reconnus.
On s’est perdus de vue, on s’est r’perdus de vue
On s’est retrouvés, on s’est séparés.
Dans le tourbillon de la vie.
On a continué à toumer
Tous les deux enlacés
Tous les deux enlacés.
Puis on s’est réchauffés.
Chacun pour soi est reparti.
Dans l’tourbillon de la vie.
Je l’ai revue un soir ah là là
Elle est retombée dans mes bras.
Quand on s’est connus,
Quand on s’est reconnus,
Pourquoi se perdre de vue,
Se reperdre de vue ?
Quand on s’est retrouvés,
Quand on s’est réchauffés,
Pourquoi se séparer ?
Alors tous deux on est repartis
Dans le tourbillon de la vie
On à continué à tourner
Tous les deux enlacés
Tous les deux enlacés.



Onde ou quando
9 Abril 2008, 12:05 am
Arquivado em: *Isabela*, Cinema, Jazz, Música, Standards

O compositor Richard Rodgers (1902-1979) e o letrista Lorenz Hart (1895-1943) não se tornaram tão conhecidos como, por exemplo, Cole Porter e George Gershwin. Felizmente não se pode dizer o mesmo sobre suas canções.

Manhattan, Blue Moon, Easy To Remember, My Funny Valentine, The Lady is Tramp, Have You Met Miss Jones?, Bewitched, Bothered and Bewildered, Where or when… quem não conhece ao menos um destes standards? São da dupla Rodgers e Hart.

Where or when é uma linda composição feita para o musical Babes in Arms em 1937 e já foi gravada por mais de cem intérpretes, entre eles Duke Ellington, Julie Andrews, Nat King Cole, Erroll Garner, Frank Sinatra, Julie London e Peggy Lee - nos tempos em que cantava com a orquestra de Benny Goodman.

Cada uma dessas interpretações lhe deu uma roupagem especial e é por isso que, como disse Oscar Wilde, a música é o tipo de arte mais perfeita, pois nunca revela seu último segredo.

Gosto muito das interpretações de Frank Sinatra e de Peggy Lee. Mas, se tiver que escolher especialmente uma, fico com a da Shepheard’s Hotel Jazz Orchestra pelos solos de clarinete e violino e por possuir um sinergismo que provoca agradável comoção e nostalgia.

Por causa desta interpretação, tenho procurado outras gravações dessa orquestra, até mesmo mais informações de *onde ou quando* foi feita a versão utilizada no filme O paciente inglês (1996) – que, inclusive, tem uma trilha sonora recheada de coisas boas como Fred Astaire e Ella Fitzgerald cantando Cheek to cheek de Irving Berlin, a interpretação de Benny Goodman para Wang wang blues e One o’clock jump e o piano de Julie Steinberg na Aria de The Goldberg Variations de J. S. Bach — mas não encontrei mais nada. Só mesmo perguntando ao Gabriel Yared.

WHERE OR WHEN
Música Richard Rodgers / Letra Lorenz Hart
Artista: Shepheard’s Hotel Jazz Orchestra
Album: O paciente inglês - Trilha sonora original



Centenários
5 Abril 2008, 10:28 am
Arquivado em: *Isabela*, Cinema, Clássicos, Figuras, Música

A atriz Bette Davis e o maestro Herbert Von Karajan têm em comum a data de nascimento: 05 de abril de 1908 e, portanto, a comemoração de seus centenários hoje.

Para Karajan, foram programadas várias homenagens: a rádio pública ORF lhe dedicará uma programação especial de 24 horas, a Filarmônica de Berlim fará concertos em sua homenagem, a Deutsche Grammophon lançou um box com CDs e DVDs, a Sony lançou 30 DVDs com os concertos mais importantes do maestro e uma exposição de fotografias feitas por Siegfried Lauterwasser, seu fotógrafo preferido, será inaugurada no Museo Überlingen.

Para Ruth Elizabeth “Bette” Davis, ganhadora de dois Oscar, a Warner Bros. editou uma coleção com sete DVDs de seus clássicos, o serviço postal dos EUA publicou um selo especial com seu rosto e hoje canais de televisão norte-americanos apresentarão alguns de seus filmes. No Brasil, o canal TCM que normalmente homenageia os aniversários das estrelas de cinema, parece que esqueceu de seu centenário pois não vi nenhum filme dela na programação.

Fonte: EFE

Atualização. Embora sem tempo, escrevi diligentemente estas linhas para não deixar a data passar em branco. Agora, ao menos para Bette Davis, resolvi inserir esta cena formidável do filme de Robert Aldrich What Ever Happened to Baby Jane? — O que terá acontecido a Baby Jane? de 1962. Ou seja, no final das contas, ela dá o presente.



Bette Davis
19 Janeiro 2008, 4:37 pm
Arquivado em: *Isabela*, Cinema, Figuras

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Bette Davis c. 1938
Image courtesy MPTV.net by IMDB

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AS MARGO CHANNING (DIALOGUE FROM THE CAR SCENE) FROM THE 20TH CENTURY-FOX FILM ALL ABOUT EVE 3:36
Artista: Bette Davis
Album: Miss Bette Davis

So many people know me. I wish I did. I wish someone would tell me about me.
Besides something spelled out in lightbulbs, I mean, besides something called a temperament which consists mostly of swooping about on a broomstick and screaming at the top of my voice. Infants behave the way I do, you know. They carry on and misbehave. They’d get drunk if they knew how, when they can’t have what they want. When they feel unwanted or insecure or unloved. More than anything in this world, I love Bill. And I want Bill. I want him to want me. But me. Not Margo Channing. And if I can’t tell them apart - how can he?

About Eve. I’ve acted pretty disgracefully toward her, too. Let’s not fumble for excuses, not here and now with my hair down. At best, let’s say I’ve been oversensitive to… well, to the fact that she’s so young - so feminine and helpless. To so many things I want to be for Bill… funny business, a woman’s career. The things you drop on your way up the ladder, so you can move faster. You forget you’ll need them again when you go back to being a woman. That’s one career all females have in common - whether we like it or not - being a woman. Sooner or later we’ve all got to work at it, no matter what other careers we’ve had or wanted… and, in the last analysis, nothing is any good unless you can look up just before dinner or turns around in bed - and there he is. Without that, you’re not woman. You’re something with a French provincial office or a book full of clippings - but you’re not a woman… slow curtain. The end.

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I WISH YOU LOVE 4:54
Autor: Leo Chauliac - versão da canção francesa “Que reste-t-il de nos amours?” de Charles Trenet.
Artista: Bette Davis
Album: Miss Bette Davis

bette-davis3.jpg margo-channing.jpg

Imagem 1: “Of Human Bondage” Bette Davis 1934 RKO
Image courtesy MPTV.net by IMDB
Imagem 2: Cartaz da peça “Aged in Wood” com Margo Channing no filme “All about Eve” 1950.
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I’VE WRITTEN A LETTER TO DADDY 3:30
Artista: Bette Davis
Album: Miss Bette Davis
Soundtrack: What Ever Happened to Baby Jane? (1962)



Sir Willard White e os Gershwins
7 Janeiro 2008, 10:44 am
Arquivado em: *Isabela*, Cinema, Jazz, Música, Youtube

Além de muitas óperas, o baixo-barítono (e maestro) Sir Willard White (1946) tem uma bonita e interessante interpretação para Bidin’ my time que vale a pena ser compartilhada porque é um Gershwin, por causa da *risada*, devido ao solo de gaita e porque ao falar sobre o que se vai fazer no próximo ano e este ano tem a ver com este início de 2008.

BIDIN’ MY TIME 3:30
Autores: George Gershwin / Ira Gershwin
Intérprete: Willard White
Album: The Glory of Gershwin

Some fellers like to tip-toe through the tulips,
Some fellers go on singin’ in the rain,
Some fellers keep on painting skies with sunshine,
Some fellers go on singin’ down the lane.

I’m bidin’ my time,
‘Cause that’s the kinda guy I’m.
While other folks grow dizzy
I keep busy
Bidin’ my time
Next year, next year,
Something’s bound to happen,
This year, this year,
I’ll just keep on nappin’
And bidin’ my time,
‘Cause that’s the kinda guy I’m.
There’s no regrettin’
When I’m settin’
Bidin’ my time.

Ouça aqui:

Para quem ainda não o conhecia, proponho um jogo: preste atenção em seu título e nome: Sir Willard White. Agora, depois que ouviu sua voz e a risada, imagine como ele é, então clique aqui para conhecê-lo e checar se bateu com o que você imaginou.

Ah, aproveitando, conheça a jukebox dos irmãos Gershwin. É só entrar no site, pular a introdução e clicar em jukebox. Tem Peter Gabriel, Dinah Washington, Billie Holiday com Embraceable you, John Pizzarelli com But not for me e beeeeem mais.

Ah2, também não poderia esquecer da homenagem que Woody Allen fez aos irmãos Gershwins com o filme Manhattan (1979). A excelente trilha sonora deste filme, além de introdução à música de George e Ira Gershwin, ressalta e enriquece cenas memoráveis.

Por exemplo, quando Isaac (Woody Allen) *se dá conta de algo* e corre com Strike Up The Band para ofegante chegar ao prédio de Tracy *Minnie Mouse* (Mariel Hemingway) ao som da belíssima But not for me. Repare, no video abaixo quando se dá a quebra de ritmo com/através das duas músicas, aproximadamente no intervalo 0:20–0:30. É por detalhes como estes, tão sutis, que Allen é genial (no sentido de gênio mesmo).

Antes, porém, os créditos da trilha sonora.

Manhattan (1979)
Complete Music Credits
Fonte: Woody Allen Movies

Music by George Gershwin:
Rhapsody in Blue
Performed by The New York Philharmonic
Conducted by Zubin Mehta
Music Adapted and Arranged by Tom Pierson
Arranger for Buffalo Philharmonic Don Rose
Audio Producer for the New York Philharmonic Andrew Kazdin
Music Recording Engineers Ray Moore, Bud Graham
Rhapsody in Blue Piano Soloist Paul Jacobs

THE NY Philharmonic Zubin Mehta, Music director perform:

Rhapsody in Blue
Love is Sweeping the Country
Land of the Gay Caballero
Sweet and Low Down
I’ve Got a Crush on You
Do-Do-Do
‘Swonderful
Oh, Lady be Good
Strike Up the Band
Embraceable You

The Buffalo Philharmonic Michael Tilson Thomas, Music Director perform:

Someone to Watch Over Me
He Loves and She Loves Me
But Not for Me

Agora, a cena (06:01):

No video acima dá para perceber a mudança de ritmo porém, la gran final, quando Rhapsody in blue é retomada e os créditos, quando Embraceable you entra, são cortados.

Já este video, embora corte boa parte do diálogo — começa quando Isaac questiona o tempo que Tracy vai ficar em Londres: “Six months, are you kidding?! Six months you’re gonna go for?!” — tem um audio bem melhor e dá para ouvir com clareza quando Tracy diz uma das frases mais tocantes: “Six months isn’t so long. Not everyone gets corrupted. You have to have a little faith in people”. E Isaac já não tem mais nada a dizer, fica calado por vários segundos balançando a cabeça enquanto um violino parece lhe dizer: “Ouviu isso?”. Então ele sorri e a música de George Gershwin (Rhapsody in blue) fecha a cena.

(Atualizado)



Ingmar Bergman (1918-2007)
31 Julho 2007, 12:06 pm
Arquivado em: *Isabela*, Cinema

Em Morangos Silvestres (Smultronstället, 1957), de Ingmar Bergman, Agda (Jullan Kindahl) é a empregada do professor Isak Borg (Victor Sjöström). Quarenta anos trabalhando para a família e quando o velho Isak fica só é ela quem toma conta da casa e dele. E ele reconhece: “Ninguém arruma a mala como você, Agda.” Apesar da aparente rabugice, ela é um doce e faz jus ao nome: Agda vem do grego e significa boa. Quem não gostaria de ter uma Agda em sua vida? Eu estou na fila.

Boa Agda foi um post que publiquei a algum tempo em meu antigo blog e que republico agora em homenagem ao mestre Ingmar Bergman que morreu ontem.

O trabalho de Bergman não é de auto-ajuda, mas sempre me desperta o desejo de ser uma pessoa melhor. Gritos e sussurros (Viskningar Och Rop, 1972), por exemplo, como abriu minha alma à compaixão! Já Morangos silvestres (1957) me fez ver a beleza da amizade que independe de palavras bonitas, de frases bem elaboradas, mas que está ligada a atitudes singelas como fazer uma mala, levantar para fazer o café, interessar-se pelo bem-estar do outro ou ao menos ouvir.

Em Sonata de Outono - Höstsonaten, 1978 - adoro os diálogos de Eva (Liv Ullmann) e Viktor (Halvar Björk) seu marido (e as pequenas estantes de madeira de sua casa, imagine) e gostaria de entabular diálogos assim.