
A criação de Oz, propriamente dita, já passou a ser lendária: o autor, L. Frank Baum, batizou seu mundo mágico com as letras O-Z da última gaveta de seu arquivo.
Baum teve uma vida estranha, cheia de altos e baixo. Nasceu rico, herdou de seu pai uma cadeia de pequenos cineteatros, e os perdeu por má administração. Escreveu uma peça de sucesso e vários fracassos. Os livros sobre Oz fizeram dele um dos principais escritores de histórias infantis da época mas todos os seus outros romances de fantasia naufragaram. The Wonderful Wizard of Oz e uma adaptação musical deste livro para a ribalta restauraram as finanças de Baum; mas uma tentativa financeiramente desastrosa de fazer uma turnê pelos Estados Unidos promovendo seus livros com um fairylogue de eslaides e filmes levou-o a pedir falência em 1911. Depois disso, vivendo à custa do dinheiro da mulher em “Ozcot”, Hollywood, ele criou galinhas e ganhou prêmios em exposições de flores. Suas finanças melhoraram após o pequeno sucesso de um musical da série Oz, The Tik-Tok Man of Oz, mas em seguida ele as arruinou novamente ao montar sua própria companhia cinematográfica, a Oz Film Company, e tentar infrutiferamente filmar e distribuir os livros da série Oz. Após dois anos preso ao leito e, conta-se, ainda otimista, morreu em maio de 1919 (Salman Rushdie, O mágico de Oz, Rocco, p.14-15).
Assim escreveu Capote:
A garota ainda tinha um gato e tocava violão. Quando o sol estava muito forte, lavava os cabelos e, na compainha do gato, um bichano ruivo e rajado, sentava-se na escada de incêndio dedilhando o violão enquanto o cabelo secava. Sempre que ouvia a música, eu ia em silêncio até a janela. Ela tocava muito bem, e às vezes cantava. Cantava no tom rouco e quebrado de um rapaz. Conhecia todos os sucessos dos musicais, Cole Porter e Kurt Weil; gostava especialmente das canções de Oklahoma!, que, por serem a novidade daquele verão, eram ouvidas em toda parte. Mas certas canções me intrigavam — onde ela as havia aprendido? de onde essa moça vinha? Canções andarilhas, duras e sentimentais, com letras que cheiravam a pinheiro ou a pradaria. Uma delas dizia: “Não quero dormir, não quero morrer, só quero andar pelos pastos do céu”; e era dessa que ela parecia gostar mais, pois muitas vezes continuava a cantá-la mesmo quando o cabelo já estava seco, com o sol posto e as janelas luzindo no crepúsculo.
Truman CAPOTE, Bonequinha de luxo (Breakfast at Tifanny’s), Companhia das Letras, 2005, p. 20.
E assim filmou Blake Edwards:
Por que os videos do Youtube não rodam no Firefox?
MOON RIVER 01:50
Compositores: Henry Mancini / Johnny Mercer
Artista: Audrey Hepburn (a voz é realmente dela)
Filme: Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de luxo) (1961)
Direção: Blake Edwards
Quando o amor é verdadeiro
O caminho nunca é longo
(Ivor Novello)

Pompeo Battoni (1708-1787). Apollo and the Two Muses [Detail: Euterpe and Urania]. Muzeum Pałacu w Wilanowie / Palace Museum in Wilanów Warsaw. Public domain. Full resolution.

Capa do album Shine Through My Dreams, de Ivor Novello (1893-1951): a música dele é maravilhosa. Seu prêmio, The Ivors, é uma escultura de bronze de Euterpe, a musa da música. Novello foi um compositor galês, a quem Robert Altman prestou homenagem no filme Gosford Park (2001), no qual é interpretado por Jeremy Northam. A trilha sonora desse filme tem cinco composições de Novello. Abaixo, logo do prêmio e imagens de Gosford Park. Depois, letra e audio de uma de suas composições My Dearest Dear, interpretada por Novello e Mary Ellis. Aprecie.



Jeremy Northam é Ivor Novello em Gosford Park (2001).
MY DEAREST DEAR
Album: Shine Through My Dreams – Memoir Records
From the London musical “The Dancing Years” (1939)
(Ivor Novello / Christopher Hassall)
Mary Ellis; Ivor Novello (Stage Production) – 1939
Imagine uma mulher, Julie, que ama e é correspondida por Claude, por quem abriu mão do trabalho e mudou de Paris para o interior da França. Mas, um dia, Claude sofre um acidente de automóvel, fica em coma e quando acorda não lembra mais que ama seu amor. Para completar, Sandrine, a ex-esposa de quem ele ainda não se divorciou, aparece e quer levar o ex para casa dela, alegando os filhos.
O filme aborda a luta de Claude para se recuperar em uma clínica e sua angústia por não se lembrar, por se sentir confuso. O dilema de Julie é deixá-lo com Sandrine e recomeçar sua vida… ou reconquistar seu amor?
Se você tem o EuroChannel, vá na programação, agende e assista À margem dos dias (En Marge des Jours, 2007), adaptação de uma narrativa autobiográfica para a TV por Emmanuel Finkiel (Viagens, 1999), que foi diretor assistente de Kieslowski na Trilogia das Cores.

Arquivado em: *Isabela*, Amizade, Cinema, Figuras, John Gray, Memética, Religião
O post Memética, intertextualidade e l’ange au sourire de Reims recebeu o seguinte comentário:
Para aquele(a)s que buscam uma breve explicação sobre o que vem a ser a memética, não posso deixar de recomendar o excelente artigo de Adrian Leverkuhn.
Sobre este assunto, John Gray, no livro Cachorros de palha (p. 43), provoca:
Os memes são aglomerados de idéias e crenças que presumivelmente competem uns com os outros de forma semelhante às dos genes. Na vida da mente, bem como na evolução biológica, existe um tipo de seleção natural de memes através da qual os memes mais adaptáveis sobrevivem. Infelizmente, os memes nao são genes. Na história das idéias, não há nenhum mecanismo de seleção natural de mutações genéticas em evolução.
De qualquer modo, apenas alguém milagrosamente inocente em relação à história poderia acreditar que a competição entre idéias possa resultar no triunfo da verdade. Certamente as idéias competem umas com as outras, mas os vencedores são normalmente aqueles que têm o poder e a loucura humana do seu lado. Quando a Igreja medieval exterminou os cátaros, terão os memes católicos prevalecido sobre os memes dos hereges? Se a Solução Final [de Hitler para a questão judaica] tivesse sido ultimada, isso teria demonstrado a inferioridade dos memes hebreus?
Agora, para MEG:

Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Teresa Martin)
Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face
Thérèse: Ordinary girl, extraordinary soul – O filme.
Oração:
Santa Teresinha, a vós recorremos em nossas trevas. Alcançai-nos, para nós, para a nossa pátria, as luzes do Divino Espírito Santo para que todo o nosso íntimo seja luz e claridade, para que recebam sempre os raios benéficos e esplêndidos de quem se apresentava ao mundo como a Luz celeste. Amém.
THERE IS A BALM IN GILEAD 3:19
Artista: Jessye Norman
Piano: Dalton Baldwin
Diretor: Willis Patterson
Album: Norman – Espirituales Negros, 1979, Philips
There is a balm in Gilead
To make the wounded whole
There is a balm in Gilead
To heal the sin-sick soul
Sometimes I feel discouraged
And think my work’s in vain
But then the Holy Spirit
Revives my soul again
Don’t ever feel discouraged
For Jesus is your friend
And if you lack of knowledge
He’ll ne’er refuse to lend
If you cannot preach like Peter
If you cannot pray like Paul
You can tell the love of Jesus
And say, “He died for all”


LE TOURBILLON DE LA VIE (From The Film “Jules Et Jim”) 2:01
Autor: Georges Delerue
Artista: Jeanne Moreau
Album: Jeanne Moreau
Elle avait des bagues à chaque doigt,
Des tas de bracelets autour des poignets,
Et puis elle chantait avec une voix
Qui, sitôt, m’enjôla.
Elle avait des yeux, des yeux d’opale,
Qui me fascinaient, qui me fascinaient.
Y avait l’ovale de son visage pâle
De femme fatale qui m’fut fatale {2x}.
On s’est connus, on s’est reconnus,
On s’est perdus de vue, on s’est r’perdus d’vue
On s’est retrouvés, on s’est réchauffés,
Puis on s’est séparés.
Chacun pour soi est reparti.
Dans l’tourbillon de la vie
Je l’ai revue un soir, hàie, hàie, hàie
Ça fait déjà un fameux bail {2x}.
Au son des banjos je l’ai reconnue.
Ce curieux sourire qui m’avait tant plu.
Sa voix si fatale, son beau visage pâle
M’émurent plus que jamais.
Je me suis soûlé en l’écoutant.
L’alcool fait oublier le temps.
Je me suis réveillé en sentant
Des baisers sur mon front brûlant {2x}.
On s’est connus, on s’est reconnus.
On s’est perdus de vue, on s’est r’perdus de vue
On s’est retrouvés, on s’est séparés.
Dans le tourbillon de la vie.
On a continué à toumer
Tous les deux enlacés
Tous les deux enlacés.
Puis on s’est réchauffés.
Chacun pour soi est reparti.
Dans l’tourbillon de la vie.
Je l’ai revue un soir ah là là
Elle est retombée dans mes bras.
Quand on s’est connus,
Quand on s’est reconnus,
Pourquoi se perdre de vue,
Se reperdre de vue ?
Quand on s’est retrouvés,
Quand on s’est réchauffés,
Pourquoi se séparer ?
Alors tous deux on est repartis
Dans le tourbillon de la vie
On à continué à tourner
Tous les deux enlacés
Tous les deux enlacés.
O compositor Richard Rodgers (1902-1979) e o letrista Lorenz Hart (1895-1943) não se tornaram tão conhecidos como, por exemplo, Cole Porter e George Gershwin. Felizmente não se pode dizer o mesmo sobre suas canções.
Manhattan, Blue Moon, Easy To Remember, My Funny Valentine, The Lady is Tramp, Have You Met Miss Jones?, Bewitched, Bothered and Bewildered, Where or when… quem não conhece ao menos um destes standards? São da dupla Rodgers e Hart.
Where or when é uma linda composição feita para o musical Babes in Arms em 1937 e já foi gravada por mais de cem intérpretes, entre eles Duke Ellington, Julie Andrews, Nat King Cole, Erroll Garner, Frank Sinatra, Julie London e Peggy Lee – nos tempos em que cantava com a orquestra de Benny Goodman.
Cada uma dessas interpretações lhe deu uma roupagem especial e é por isso que, como disse Oscar Wilde, a música é o tipo de arte mais perfeita, pois nunca revela seu último segredo.
Gosto muito das interpretações de Frank Sinatra e de Peggy Lee. Mas, se tiver que escolher especialmente uma, fico com a da Shepheard’s Hotel Jazz Orchestra pelos solos de clarinete e violino e por possuir um sinergismo que provoca agradável comoção e nostalgia.
Por causa desta interpretação, tenho procurado outras gravações dessa orquestra, até mesmo mais informações de *onde ou quando* foi feita a versão utilizada no filme O paciente inglês (1996) – que, inclusive, tem uma trilha sonora recheada de coisas boas como Fred Astaire e Ella Fitzgerald cantando Cheek to cheek de Irving Berlin, a interpretação de Benny Goodman para Wang wang blues e One o’clock jump e o piano de Julie Steinberg na Aria de The Goldberg Variations de J. S. Bach — mas não encontrei mais nada. Só mesmo perguntando ao Gabriel Yared.
WHERE OR WHEN
Música Richard Rodgers / Letra Lorenz Hart
Artista: Shepheard’s Hotel Jazz Orchestra
Album: O paciente inglês – Trilha sonora original
A atriz Bette Davis e o maestro Herbert Von Karajan têm em comum a data de nascimento: 05 de abril de 1908 e, portanto, a comemoração de seus centenários hoje.
Para Karajan, foram programadas várias homenagens: a rádio pública ORF lhe dedicará uma programação especial de 24 horas, a Filarmônica de Berlim fará concertos em sua homenagem, a Deutsche Grammophon lançou um box com CDs e DVDs, a Sony lançou 30 DVDs com os concertos mais importantes do maestro e uma exposição de fotografias feitas por Siegfried Lauterwasser, seu fotógrafo preferido, será inaugurada no Museo Überlingen.
Para Ruth Elizabeth “Bette” Davis, ganhadora de dois Oscar, a Warner Bros. editou uma coleção com sete DVDs de seus clássicos, o serviço postal dos EUA publicou um selo especial com seu rosto e hoje canais de televisão norte-americanos apresentarão alguns de seus filmes. No Brasil, o canal TCM que normalmente homenageia os aniversários das estrelas de cinema, parece que esqueceu de seu centenário pois não vi nenhum filme dela na programação.
Fonte: EFE
Atualização. Embora sem tempo, escrevi diligentemente estas linhas para não deixar a data passar em branco. Agora, ao menos para Bette Davis, resolvi inserir esta cena formidável do filme de Robert Aldrich What Ever Happened to Baby Jane? — O que terá acontecido a Baby Jane? de 1962. Ou seja, no final das contas, ela dá o presente.
