La cibercultura, sin referencialidad ni significado, nos abre las puertas a un paraiso sin dioses ni utopias, un jardin cool donde sólo el nihilismo desdramatizado, espontáneo y lúdico, conforma cada uno de los actos de nuestra existencia. El paisaje que nos ofrece este hipercapitalismo libidinal se asemeja a esos cuadros de Tanguy: espacios sin horizonte donde los seres multicolores, casi en estado larvario, parecen flotar en un mundo que nos propone una última ingenuidad edénica; exorcizar, por la vía del consumo, de la indiferencia y el zapping, la historia y la muerte como fundamentos de la condición humana (Alvaro Cuadra Rojas; Carlos Ossa Swears, Modernidad y Comunicación Social).

Yves TANGUY (1900-1955). Jamais Plur (Never again), 1939. Scottish National Gallery of Modern Art, Edinburgh (920×730mm Oil on canvas).

Yves TANGUY (1900-1955). Dehors (Outside), 1929. Scottish National Gallery of Modern Art, Edinburgh (1160×895mm Huile sur toile).
Os trabalhos com temas natalinos do artista plástico, pintor e ilustrador JAN HÍSEK (1965, Praga) são uma forma bastante diferente de explorar o Natal, sem brilhos, verdes e vermelhos coca-cola. Um deles, o Madonna with blackie (detalhe abaixo) é particularmente interessante e sempre tive vontade de usá-lo como banner no mês de dezembro. Mas, para acomodar a imagem ao formato pré-determinado do tema só poderia inserir um detalhe. Três trabalhos de Hísek foram testados e o que melhor se adaptou foi Zjevení que significa Revelation, Apocalipse. Mas, quando encaixado, restou apenas uma parte de um homem que aponta para um anjo e isso me pareceu, embora com a mão esquerda, uma saudação bem conhecida e rechaçada (com razão). Quando o homem foi apagado, a preocupação foi modificar um trabalho artístico. Além disso, o banner escureceu o blog. Uma pena.
A opção rápida, mas bonita, foi uma cena bem conhecida de uma véspera de Natal do filme Fanny e Alexander (1982), de Ingmar Bergman.
Clicando aqui, você poderá apreciar Zjevení na íntegra e, abaixo (reduzidos), como os banners ficaram:

Jan HÍSEK (Grafika – hlubotisk), Zjevení (Revelation/Apocalipse), 1995, 39×57 cm (detalhes, adaptados para o formato do banner).
Mais dois trabalhos do artista:

Jan HÍSEK (Grafika – hlubotisk), Madona s černouškem (Madonna with Blackie), 1992, 23×32cm (detalhe)

Jan HÍSEK (Grafika – hlubotisk), Beránci (Lambs), 1998, 8×7cm
É com o banner do filme Fanny e Alexander, os trabalhos de Hísek e, apesar do calor típico de verões cada vez mais quentes, com a bonita interpretação de Louis Armstrong para a canção White Christmas (1940), clássico natalino de Irving Berlin, que desejo Boas Festas.
WHITE CHRISTMAS (1940) 02:39
Irving Berlin
Artista: Louis Armstrong
Album: Louis Armstrong and Friends – 2003 – What a Wonderful Christmas
Post relacionado: Então é Natal…
A minha irmã me enviou por e-mail uma imagem muito bonita de uma garota, mas sem um linha sequer explicando o sentido daquele anexo. Fiquei pensando quem seria aquela menina que, inclusive, parecia com alguém da minha família (alguma prima?!). Curiosa, perguntei à minha irmã o significado e ela respondeu que achou a garota muito parecida *comigo(!)*, mas não sabia informar nada sobre a obra (título, autor ou data), apenas suspeitava que era do período renascentista. Como o nome do arquivo era “mignon”, lembrei que já havia visto de Ary Scheffer (1795-1858), de quem já publiquei neste blog uma imagem de domínio público (aqui), um trabalho de 1839, cujo título é “Mignon” (que soube depois ser Mignon verlangende naar haar vaderland) e reparei que essa moça parece muito com a do meu e-mail. Embora Ary Scheffer não seja do Renascimento, mas do Romantismo, seguindo a pista cheguei à Cornélia Marjolin-Scheffer (1830-1899), única fílha do pintor, ela mesma artista, que transformou sua casa no Musée de la Vie romantique. Também descobri outra obra Mignon verlangende naar de hemel, de 1851, cujo modelo possivelmente foi Cornélia, além de outros trabalhos que posto abaixo, deixando ainda a dúvida no ar: se a imagem do e-mail também é de Cornélia Marjolin-Scheffer, retratada por seu pai.

A garota do e-mail

(1) Ary Scheffer – Mignon verlangende naar haar vaderland (1839), detalhe.
(2) Ary Scheffer – Mignon Verlangende naar de hemel (1851), detalhe.
Segundo o Dordrechts Museum, onde as duas obras estão expostas, as “Mignon” foram inspiradas em “Wilhelm Meister’s Lehrjahre”, livro de Goethe.

Ary Scheffer, Cornélia Marjolin
©I. ANDREANI/PMVP

Ary Scheffer, Portret van Cornelia met hond (1840)
Alguns links:
Dordrechts Museum, Ary Scheffer
Ary Scheffer, Mignon verlangende naar haar vaderland (1839)
Ary Scheffer, Mignon verlangende naar de hemel (1851)
Ary Scheffer, De hemelse en aardse liefde (1850) – repare no *rosto* de Venus

Egon Schiele (1890-1918). Porträt der Edith Schiele im gestreiften Kleid (1915). Haags Gemeentemuseum voor Moderne Kunst.




Atualização: detalhes reduzidos de algumas obras do artista plástico e escultor italiano Amedeo Modigliani (1884-1920), que retratam a pintora francesa Jeanne Hébuterne (1898-1920), sua esposa e principal modelo, com exceção da quinta imagem, contada da esquerda para a direita e de cima para baixo, que é um auto-retrato.
Minhas associações:
As imagens estão em 3×4 que, multiplicados, resultam em 12 imagens. São 3 colunas x 4 linhas, cuja composição formou um grande “3×4″. Quanto à disposição, em todas da primeira linha ela está com a cabeça para o lado direito (dela); em todas da segunda linha, ela está com os cabelos castanhos; em todas da coluna do meio, ela está com o cabelo preso; em todas da terceira coluna, parece ser o mesmo local, a mesma parede ao fundo; o mesmo para a terceira linha, parece ser a mesma parede, além do chapéu nas duas das pontas; na última linha, em todas ela está sentada em uma cadeira.
E dá para ver que ela repete a mesma blusa preta pelo menos cinco vezes.
Aqui, tudo muito, muito bonito mesmo. De extremo bom gosto. Parabéns.
Post relacionado: Essas cores…

Marc Chagall. The Promenade (La promenade). 1917-18. Oil on canvas. State Russian Museum, St. Petersburg.
Auto-retrato em que ele, sorrindo, dá a mão à sua esposa, Bella, que voa ao sabor do vento com seu exuberante vestido, em Vitebsk, terra natal do artista. Uma geométrica paisagem verde, casas cubistas, igreja rosa, toalha vermelha, um piquenique, um passeio.
Logo na abertura do filme “O Último tango em Paris” (Last tango in Paris, 1972), duas telas do pintor irlandês Francis Bacon são apresentadas. Uma delas é “Double Portrait of Lucian Freud”.

Double Portrait of Lucian Freud and Frank Auerbach (detail). 1964. Francis Bacon. Moderna Museet, Stockholm.
Quando estava em Paris para começar a filmar, Bernardo Bertolucci foi a uma exposição de Bacon no Grand Palais e a dramaticidade dos corpos retorcidos das telas muito o impactou. Tanto que ele levou para ver a exposição o diretor de fotografia Vittorio Storaro, o figurinista Gitt Magrini, o cenógrafo Ferdinando Scarfiotti e, por fim, Marlon Brando, quando então lhe pediu que expressasse a mesma dramaticidade selvagem que há na face das figuras de Bacon, conhecido por trabalhos que evocam sentimentos de desespero existencial, a nota dominante em O Último Tango.
…
E Lucian Freud (1922), neto do pai da psicanálise, foi notícia no mês de maio por causa do preço de uma de suas obras, recorde em um leilão da Christie’s: agora ele é o artista vivo mais caro da história, pois pagaram 33,6 milhões de dólares por seu quadro “Benefits supervisor sleeping” de 1995, óleo que mostra a modelo Sue Tilley dormindo em um sofá, considerado como sua pintura mais importante.

Lucian Freud. Benefits supervisor sleeping. Oil on canvas. 1995.
