Assim escreveu Capote:
A garota ainda tinha um gato e tocava violão. Quando o sol estava muito forte, lavava os cabelos e, na compainha do gato, um bichano ruivo e rajado, sentava-se na escada de incêndio dedilhando o violão enquanto o cabelo secava. Sempre que ouvia a música, eu ia em silêncio até a janela. Ela tocava muito bem, e às vezes cantava. Cantava no tom rouco e quebrado de um rapaz. Conhecia todos os sucessos dos musicais, Cole Porter e Kurt Weil; gostava especialmente das canções de Oklahoma!, que, por serem a novidade daquele verão, eram ouvidas em toda parte. Mas certas canções me intrigavam — onde ela as havia aprendido? de onde essa moça vinha? Canções andarilhas, duras e sentimentais, com letras que cheiravam a pinheiro ou a pradaria. Uma delas dizia: “Não quero dormir, não quero morrer, só quero andar pelos pastos do céu”; e era dessa que ela parecia gostar mais, pois muitas vezes continuava a cantá-la mesmo quando o cabelo já estava seco, com o sol posto e as janelas luzindo no crepúsculo.
Truman CAPOTE, Bonequinha de luxo (Breakfast at Tifanny’s), Companhia das Letras, 2005, p. 20.
E assim filmou Blake Edwards:
Por que os videos do Youtube não rodam no Firefox?
MOON RIVER 01:50
Compositores: Henry Mancini / Johnny Mercer
Artista: Audrey Hepburn (a voz é realmente dela)
Filme: Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de luxo) (1961)
Direção: Blake Edwards
Natal
Penso no Natal. No teu Natal. Para a bondade
A minh’alma se volta. Uma grande saudade
Cresce em todo o meu ser magoado pela ausência.
Tudo é saudade… A voz dos sinos… A cadência
Do rio… E esta saudade é boa como um sonho!
E esta saudade é um sonho… Evoco-te… Componho
O ambiente cuja luz os teus olhos douram.
Figuro os olhos teus, tristes como eles foram
No momento final de nossa despedida…
O teu busto pendeu como um lírio sem vida,
E tu sonhas, na paz divina do Natal…
Ó minha amiga, aceita a carícia filial
De minh’alma a teus pés humilhados de rastos.
Seca o pranto feliz sobre os meus olhos castos…
Ampara a minha fronte, e que minha ternura
Se torne insexual, mais do que humana — pura
Como aquela fervente e benfazeja luz
Que Madalena viu nos olhos de Jesus…
“A cinza das horas” Clavadel, 1913
* * *
Natal Sem Sinos
No pátio a noite é sem silêncio
E que é a noite sem o silêncio?
A noite é sem silêncio e no entanto onde os sinos
Do meu Natal sem sinos?
………………..Ah meninos sinos
………………..De quando eu menino!
Sinos da Boa Vista e de Santo Antônio.
Sinos do Poço, do Monteiro e da Igrejinha de Boa Viagem.
………………..Outros sinos
………………..Sinos
………………..Quantos sinos!
No noturno pátio
Sem silêncio, ó sinos
De quando eu menino.
Bimbalhai meninos,
Pelos sinos
De quando eu menino,
Pelos sinos (sinos
Que não ouço), os sinos de
Santa Luzia.
“Opus 10″ Rio, 1952
* * *
Natal 64
…………………………………..A Moussy
Ao deitar-me para a dormida,
Desejara maior repouso
Do que adormecer, e nao ouso
Desejar o jazer sem vida.
Vida é possibilidade
De sofrimento; quando menos,
Do sofrimento da saudade,
Com seus vãos apelos e acenos.
Mas a não haver outra vida,
Aos que morrem pode a saudade
Dar-lhes, senão a eternidade,
Um prolongamento de vida.
Então, por que neste momento
Me sinto tão amargo assim?
E a saudade me é um tal tormento
Se estás viva dentro de mim?
“Estrela da tarde” 1960
Os trabalhos com temas natalinos do artista plástico, pintor e ilustrador JAN HÍSEK (1965, Praga) são uma forma bastante diferente de explorar o Natal, sem brilhos, verdes e vermelhos coca-cola. Um deles, o Madonna with blackie (detalhe abaixo) é particularmente interessante e sempre tive vontade de usá-lo como banner no mês de dezembro. Mas, para acomodar a imagem ao formato pré-determinado do tema só poderia inserir um detalhe. Três trabalhos de Hísek foram testados e o que melhor se adaptou foi Zjevení que significa Revelation, Apocalipse. Mas, quando encaixado, restou apenas uma parte de um homem que aponta para um anjo e isso me pareceu, embora com a mão esquerda, uma saudação bem conhecida e rechaçada (com razão). Quando o homem foi apagado, a preocupação foi modificar um trabalho artístico. Além disso, o banner escureceu o blog. Uma pena.
A opção rápida, mas bonita, foi uma cena bem conhecida de uma véspera de Natal do filme Fanny e Alexander (1982), de Ingmar Bergman.
Clicando aqui, você poderá apreciar Zjevení na íntegra e, abaixo (reduzidos), como os banners ficaram:

Jan HÍSEK (Grafika – hlubotisk), Zjevení (Revelation/Apocalipse), 1995, 39×57 cm (detalhes, adaptados para o formato do banner).
Mais dois trabalhos do artista:

Jan HÍSEK (Grafika – hlubotisk), Madona s černouškem (Madonna with Blackie), 1992, 23×32cm (detalhe)

Jan HÍSEK (Grafika – hlubotisk), Beránci (Lambs), 1998, 8×7cm
É com o banner do filme Fanny e Alexander, os trabalhos de Hísek e, apesar do calor típico de verões cada vez mais quentes, com a bonita interpretação de Louis Armstrong para a canção White Christmas (1940), clássico natalino de Irving Berlin, que desejo Boas Festas.
WHITE CHRISTMAS (1940) 02:39
Irving Berlin
Artista: Louis Armstrong
Album: Louis Armstrong and Friends – 2003 – What a Wonderful Christmas
Post relacionado: Então é Natal…
Por amor andei
Tanto chão e mar
Senhor já nem sei
Se o amor não é mais
Bastante pra vencer
Eu já sei o que vou fazer
Meu senhor
Uma oração
Vou cantar para ver se vai valer
Laia ladaia sabatana ave-maria …
Laia ladaia sabatana ave-maria …
Oh meu santo defensor
Traga o meu amor
Laia ladaia sabatana ave-maria …
Laia ladaia sabatana ave-maria …
Se é fraca a oração
Mil vezes cantarei!
Laia ladaia sabatana ave-maria …
Laia ladaia sabatana ave-maria …
REZA 03:00
Artista: Wanda Sá
Composição: Edu Lobo, Ruy Guerra
