Aprendendo a Aprender


Tatoos
31 Março 2008, 9:40 am
Arquivado em: *Isabela*, Figuras

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Ashlee Simpson no tapete vermelho (ou seria laranja?) do Nickelodeon Kids’ Choice Awards no dia 29 de março.



É hoje…
30 Março 2008, 11:44 am
Arquivado em: *Isabela*, Teatro

No Hans Otto Theather de Potsdam e sob forte proteção policial, a estréia mundial da peça “Die Satanischen Verse” (Versos Satânicos) baseada no polêmico livro de Salman Rushdie, condenado a morte por Khomeini em 1989 pelo crime de apostasia. Embora tenha sido convidado, nem os organizadores sabem se ele irá.  E você, teria coragem de ir?



Free Tibet
30 Março 2008, 11:07 am
Arquivado em: *Isabela*, Free Tibet, Mundo

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Foto: REUTERS



Cuéntame, Musa…
25 Março 2008, 10:34 am
Arquivado em: *Isabela*, Clássicos, Literatura

…la historia del hombre de muchos senderos,
que, después de destruir la sacra ciudad de Troya,
anduvo peregrinando larguísimo tiempo.

Homero, La Odisea



Deixa rugir o Caos atônito
21 Março 2008, 1:32 am
Arquivado em: *Isabela*, Poesia

Desde o ano 2000, com o objetivo de fomentar o apoio aos poetas jovens, volver ao encantamento da oralidade e restabelecer o diálogo entre a poesia e as demais artes, a UNESCO celebra em 21 de março o Dia Mundial da Poesia com diversos atos em todo o mundo.

Este site participa com o poema de Mário Quintana “Aula inaugural” que apresenta a poesia como defesa contra a angústia de viver e diz: “Fora da poesia, não há salvação”.

AULA INAUGURAL

Mário Quintana (1906-1994)

É verdade que na Ilíada não havia tantos heróis como na guerra do Paraguai…
Mas eram bem falantes
E todos os seus gestos eram ritmados como num balé
Pela cadência dos metros homéricos.
Fora do ritmo, só há danação.
Fora da poesia, não há salvação.
A poesia é dança e a dança é alegria.
Dança, pois, teu desespero, dança
Tua miséria, teus arrebatamentos,
Teus júbilos
E,
Mesmo que temas imensamente a Deus,
Dança como David diante da Arca da Aliança.
Mesmo que temas imensamente a morte
Dança diante de tua cova.
Tece coroas de rimas…
Enquanto o poema não termina
A rima é como uma esperança
Que eternamente se renova.
A canção, a simples canção, é uma luz dentro da noite.
(Sabem todas as almas perdidas…)
O solene canto é um archote nas trevas.
(Sabem todas as almas perdidas…)
Dança, encantado dominador de monstros,
Tirano das esfinges,
Dança, Poeta.
E sob o aéreo, o implacável, o irresistível ritmo de teus pés,
Deixa rugir o Caos atônito…

Mário Quintana, Apontamentos de história sobrenatural. Porto Alegre: Globo, 1975, p.24-25.



Saramago
19 Março 2008, 10:34 pm
Arquivado em: *Isabela*, Figuras, Literatura

Bela homenagem feita pela Revista Ñ do jornal argentino Clarín a José Saramago.

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Mais Vinicius de Moraes
15 Março 2008, 11:50 pm
Arquivado em: *Isabela*, Poesia, Sentimentos

O Haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai! eles não têm culpa de ter nascido

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo que existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e de sua força inútil.

Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante.

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de uma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do grande medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
Pelo momento a vir, quando, emocionada
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada.

* * *

Esta versão do poema foi declamada pelo autor no disco Vinicius de Moraes – Antologia Poética com a participação de Edu Lobo tocando a música Canto triste, dele e de Vinicius.



“E as águas desse rio, onde vão, eu não sei…”
14 Março 2008, 11:59 am
Arquivado em: *Isabela*, Música, Sentimentos

Sylvia Telles
Sylvia Telles (1934-1966): a Dindi da canção.

DINDI (1959)

Autores: Aloysio de Oliveira, Tom Jobim, Ray Gilbert.

Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Prá onde elas vão, ah, eu não sei, não sei
E o vento que fala das folhas
Contando as histórias que são de ninguém
Mas que são minhas e de você também
Ai, Dindi
Se soubesses o bem que eu te quero
O mundo seria, Dindi, tudo, Dindi, lindo, Dindi
Ai, Dindi
Se um dia você for embora me leva contigo, Dindi
Olha, Dindi, fica, Dindi
E as águas desse rio
Onde vão, eu não sei
A minha vida inteira, esperei, esperei por você, Dindi
Que é a coisa mais linda que existe
É você não existe, Dindi.