…e o que você fez?
Brincadeiras de lado, mas a verdade é que no fim de ano sempre vem a cobrança, nem que seja interna, uma espécie de balanço para saber se houve progresso ou não. Um acadêmico, por exemplo, verifica se conseguiu mais títulos, se publicou mais artigos e pappers. Já os religiosos, principalmente os cristãos, vão checar as caridades que fizeram durante o ano. Outros checam a(s) conta(s) no(s) banco(s). E por aí vai.
Quem não atingiu as metas se sente frustrado: aquele que não perdeu peso, aquele que não malhou, aquele que não parou de fumar, aquele que não arranjou namorada. E por aí vai.
Estas são formas de avaliação derivadas de conceitos positivistas.
Entretanto, como diz a canção, o ano termina e nasce outra vez. E assim, (res)surgem projetos: dessa vez não passei no vestibular, ok, falhei, não estudei tanto assim, mas vou me esforçar mais, fazer cursinho, revisar tudo e no próximo eu passo. Não é assim?
Eu acho interessante. Porém, como todos, checo mentalmente o que fiz e não fiz, traço minhas metas e faço minhas promessas de fim de ano. Mas também lembro que um dos meus filósofos favoritos, que inclusive tem até tag neste site, *John Gray*, no final do livro Cachorros de palha diz:
Outros animais não precisam de um propósito na vida. Uma contradição em si mesmo, o animal humano não pode passar sem um. Será que não podemos pensar o propósito da vida como sendo simplesmente ver?
Assim, deixo esta pergunta de fim de ano para vocês. E quem puder, leia o livro.



O banner foi trocado para o período natalino e é um pohlednice de Jirí Slíva (Pilsen, 1947) que foi levemente alterado para caber no espaço do topo. Mas que diabos é um pohlednice? *Creio eu* que na língua dele é um cartão, tipo e-card. Este retrata a jazz band dos três reis magos: Gaspar (Kaspar), Melquior e Baltasar.
Ah, já ia esquecendo! O Google é bastante criativo em seus logotipos comemorativos, mas ainda não compreendi o sentido deste: um cara que explode um canhão e sai um outro enrolado em um tapete vermelho.

Passemos à música. Um dos discos de Natal que mais gosto é o da trilha sonora do filme do Snoopy. Ele é leve como champagne: não é perfeito pois tem vocal infantil em uma ou duas músicas, mas é sobretudo estilo piano-jazz com canções como O Tannenbaum, Christmas time is here, além de Greenleaves e Pour Elise também.
É uma boa dica pois é um disco que não vai te deixar para baixo (canções de natal as vezes fazem isso). Por ser suave, não interfere, não disputa espaço: a família pode conversar a vontade e ele dará um ritmo natalino ao fundo.
Ouça a versão de O Tannenbaum (Wagner) que está no portal domínio público e depois a do disco do Snoopy. É isto que fascina na música: a liberdade e possibilidade de diversos arranjos e interpretações, cada uma tocante — desculpem o trocadilho — (ou não) a seu modo.
O TANNENBAUM 05:08
Album: Vince Guaraldi Trio - 1965 - A Charlie Brown Christmas
Autor: Wilhelm Richard Wagner
Boas festas.
Quem já fez estas viagens? Quem já navegou, conheceu mundos, culturas, personagens/pessoas interessantes, idéias, histórias?
Quem não lembra da mamãe chamando: “filho(a), está na hora de almoçar, largue um pouco esse livro…”

“A viagem” (1999), Sônia Menna Barreto
