O leite é um alimento que consumimos praticamente todos os dias e ao longo de toda a vida, seja in natura ou processado como manteiga, queijo, iogurte ou como um dos ingredientes de achocolatados, bebidas lácteas, pães, bolos e vários outros alimentos.
Com a denúncia de leite fraudado e contaminado por substâncias tóxicas, notícias de que lotes de leite foram interdidatos pela Anvisa e de que deputados de Minas Gerais já defendem instalação de CPI do leite, lembrei de um post publicado em agosto de 2006 em meu antigo site que falava da contaminação do leite.
Aproveito o momento para o republicar, pois considero importante que os consumidores compreendam como algumas doenças — alergias, por exemplo — surgem e a causa pode estar relacionada ao consumo de alimentos contaminados.
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UMA INGÊNUA PERCEPÇÃO
Originalmente publicado em 26/08/2006
De forma geral, o leite que nos habituamos a beber desde crianças, por trás de sua brancura e aparente homogeneidade, esconde uma realidade de contaminação por pesticidas e bactérias.
As bactérias podem ser consideradas a parte menos preocupante: depois de uma boa fervura, morrem. É por isso que alguns chamam o leite longa vida de cemitério de bactérias, pois elas continuam no leite, embora mortas (apesar de que algumas já são termo-resistentes).
Já os resíduos de pesticidas são muito mais preocupantes. Na produção leiteira “a demasiada introdução de animais de alto grau de sangue de raças européias especializadas tem resultado na fragilização dos rebanhos, demandando crescentes gastos com antibióticos e pesticidas cada vez menos eficientes e mais tóxicos”.
Além disso, quando vacas em lactação apresentam alguma doença, principalmente mamite, os antibióticos nem sempre são administrados na dose correta e a vaca em tratamento não fica em “resguardo” enquanto toma esses medicamentos, sendo ordenhada normalmente. Com o preço do leite baixo, imagine se o produtor vai ordenhar a vaca e jogar o leite fora? Se o leite mudasse de cor, até poderia ser… mas continua branco e com aparência normal.
Quando as vacas ficam infestadas por carrapatos ou moscas-dos-chifres, o que é quase a regra, durante a aplicação de pesticidas o período de carência recomendado pelos fabricantes nem sempre é respeitado. Esses venenos normalmente são aplicados de forma inadequada — sub-dosagem e má aplicação — deixando os parasitas cada vez mais resistentes, o que exige doses cada vez mais altas — uma verdadeira bola de neve.
Ainda mais, “o uso indiscriminado de herbicidas de grande efeito residual estã deixando resíduos nos alimentos e no ambiente em que são produzidos, com comprometimento para a saúde do consumidor e para a sustentabilidade dos agroecossistemas locais”. E os animais, quando comem capim, silagens e concentrados contaminados por pesticidas, repassam isso para a carne e o leite.
O consumidor urbano, geralmente distante da realidade rural, nem imagina o que acontece na produção de alimentos. Algumas crianças urbanas chegam a imaginar que o leite já vem na caixinha. E, por falar nas crianças, muitas têm apresentado o que se chama “alergia a lácteos”, mas será que não é o organismo rejeitando os resíduos de pesticidas e antibióticos do leite?



Mais sobre o assunto “leite contaminado” no site Milkpoint e neste artigo de Angela Trabbold. Um exemplo de produção de leite orgânico, certificada pelo Instituto Biodinâmico é o da Fazenda Acauã. Os trechos entre aspas sobre contaminação do leite utilizados neste post foram retirados de seu site.
Você já começou a ler um livro e, o julgando difícil, pensou que não conseguiria sair do primeiro capítulo para, no capítulo seguinte, passar a apreciar a leitura?
We love each other so deeply
that I ask you this, sweetheart,
why should we quarrel ever,
why can’t we be enough clever,
never to part.
Every time we say goodbye
I die a little,
every time we say goodbye
I wonder why a little,
why the gods above me
who must be in the know
think so little of me
they allow you to go.
When you’re near
there’s such an air
of spring about it,
I can hear a lark somewhere
begin to sing about it,
there’s no love song finer,
but how strange the change
from major to minor…
every time we say goodbye.
EVERY TIME WE SAY GOODBYE (1944)
Autor: Cole Porter
Intérprete: Rod Stewart
Album: It Had To Be You - The Great American Songbook



15 de outubro, 43 anos sem Cole Porter (1891-1964), autor de maravilhosas canções, como esta que é de 1944, portanto 63 anos. O tempo passa e o que é bom nem sempre é esquecido. Deve ser porque, como diz um trecho da canção As time goes by: “Moonlight and love songs never out of date” (A luz da lua e canções de amor nunca estão fora de moda). Ou porque, como disse Drummond no final do lindo poema Memória: “Mas as coisas findas / muito mais que lindas, / essas ficarão”. Ou ambos. That’s good.

Mother and child
Carl Holsoe (1863-1935)
ENSINAMENTO
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente,
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Adélia Prado. Poesia reunida, Editora Siciliano, 1991 - S.Paulo, Brasil
Selecionei três — a primeira vista — calmos, leves e suaves poemas de Emily Dickinson traduzidos por Aíla de Oliveira Gomes e retirados de um primoroso livro que traz cem poemas no original e a tradução em português na página ao lado, além de notas e explicações da tradutora sobre como se deu seu trabalho, dando uma idéia do quanto é difícil traduzir poesia.
Some things that fly there be –
Birds — Hours — the Bumblebee –
Of these no Elegy.
Some things that stay there be –
Grief — Hills — Eternity –
Nor this behooveth me.
There are that resting, rise.
Can I expound the skies?
How still the Riddle lies!
Há certas coisas de voar –
Aves — abelhas — horas do dia –
Delas nenhuma elegia.
Há outras coisas de ficar –
Dor — colinas — eternidade –
Não me competem, em verdade.
E há outras que o repouso re-anima –
O arcaz dos céus posso eu expor?
Tão quieto jaz o enigma!
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The Bee is not afraid of me.
I know the Butterfly.
The pretty people in the Woods
Receive me cordially –
The Brooks laugh louder when I come –
The Breezes madder play;
Wherefore mine eye thy silver mists,
Wherefore, Oh, Summer’s Day?
A abelha comigo não se intimida,
A borboleta é minha amiga,
Os seres mais bonitos da floresta
Recebem-me com muita festa.
Os rios riem alegres quando eu passo,
Brinca mais doida a viração.
Porque então, olhos meus, toda essa névoa?
Porque, oh dia de verão?

My River runs to thee –
Blue Sea! Wilt welcome me?
My River waits reply –
Oh Sea — look graciously –
From spotted nooks –
Say — Sea — Take Me!
Meu rio corre até ti:
Mar azul, aceitas-me?
Meu rio espera resposta.
Ó mar, vê se me gostas.
Eu te trarei regatos
De escondidos regaços –
Dize, mar, vais-me levar?
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Do livro livro Emily Dickinson - uma centena de poemas, tradução, introdução e notas por Aíla de Oliveira Gomes; apresentação de Paulo Rónai; prefácio de Ashley Brown - São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo, 1984.
P.S.: as pequeninas daisies, reduzidas por mim, são de Andy Warhol.
