A Folha de São Paulo traz mais uma coleção, agora de jazz. São 20 livros-CD ilustrados, no formato 138 cm x 123 cm com clássicos que marcaram e estrelas do jazz. A partir do dia 30 de setembro de 2007, os dois primeiros títulos: Nat King Cole e Herbie Hancock — numa promoção leve 2 e pague 1 — por R$ 11,90*.
Atenção: assinante Uol ou da Folha de São Paulo terá desconto se comprar através do site podendo, inclusive, parcelar no cartão de crédito em até 6 vezes. Neste caso, pelas contas que fiz, mesmo com o frete de R$ 22,40, se comprar a coleção completa terei uma “economia” de R$ 51,30 em relação ao total que pagaria ao jornaleiro e cada livro-CD sairá por R$ 10,64.
Já para quem mora nos estados de SP, MG, PR e RJ, melhor ainda: o frete é grátis na compra de lotes ou de toda a coleção e cada livro-CD sairá por R$ 9,52.
Quanto aos artistas escolhidos, senti falta de Count Basie. Eu sei que só são vinte, não dá para colocar todos, mas trocaria Nat King Cole por ele, com certeza. Oh, lady be good! Trocaria, só por April in Paris — clássica, como diz a coleção.
Ah, gostei da campanha de marketing criada pela Africa. Veja o comercial para a TV que já está no Youtube:
*preço válido para os estados de SP, RJ, MG e PR, nos estados SC, DF, ES, MS, RS, GO, BA e MT o produto custará R$ 12,90 e para os demais estados o preço será de R$ 13,90.
Atualização (12/11/2007): Recebi o primeiro lote e realmente, como disse o comentário a este post, a música no final do comercial é Cantaloup Island de Herbie Hancock.
A introdução do livro de Hancock — o volume 2 da coleção — diz que Cantaloop (Flip Fantasia), sucesso da banda inglesa de jazz-rap US3 em 1994 e até hoje é executado nas radios, é um remix de Cantaloup Island. Diz também que o piano, misturado a efeitos eletrônicos, foi sampleado da gravação original de Herbie Hancock de 1964 para a gravadora Blue Note.
Aproveito esta atualização para inserir as duas versões.
CANTALOOP (Flip Fantasy) 4′12
US3
Album: Rare Requests, Volume 1 - Smooth Jazz
CANTALOUP ISLAND 5′29
Herbie Hancock
Album: Herbie Hancock - Coleção Folha Clássicos do Jazz, vol. 2
Vários trompetistas se destacaram na história do jazz. Quatro deles, os mais (re)conhecidos são Louis Armstrong, Miles Davis, Chet Baker e Wynton Marsalis, todos estrelas no céu do jazz.
Mas você já ouviu falar em Jon-Erik Kellso? Já o ouviu tocar? Se não, não sabe o que está perdendo. Ele é muito bom. E como sabe escolher (e criar) músicas!
Kellso começou a tocar profissionalmente muito jovem, aos onze anos, então veja quanta estrada já tem, pois hoje está com 43 anos. Já gravou com e para feras do jazz: Vince Giordano’s Nighthawks, Ralph Sutton, Dan Barrett, Howard Alden, Milt Hinton, Dick Hyman, Linda Ronstadt, Banu Gibson, Madeleine Peyroux, Leon Redbone, Ken Peplowski, Bob Wilbur e Kenny Davern. Também pode ser ouvido em trilhas sonoras como O aviador (The Aviator), com a Vince Giordano’s Nighthawks.
Seu mais novo CD, Blue Roof Blues: A Love Letter to New Orleans com Evan Christopher-clarinet, Matt Munisteri-guitar/banjo/vocal, Danton Boller-bass e Marion Felder-bateria é uma homenagem a amigos de Nova Orleans e todos aqueles afetados pelo Furacão Katrina.
Mais sobre ele em seu próprio site, água na fonte e, sem mais delongas, duas agradáveis músicas do seu novo album
JUST LIKE THAT 6′32
Jon-Erik Kellso
Album: Blue Roof Blues: A Love Letter to New Orleans
JUST LIKE THIS 4′19
Jon-Erik Kellso / Evan Christopher
Album: Blue Roof Blues: A Love Letter to New Orleans

(Alterado)

Woman Seated at a Table by a Window
By Carl Holsoe (1863-1935)
POEMA PARA GRANDE ORQUESTRA PARADA - UM SILÊNCIO BEM ALTO
Você já amou uma mulher brilhante.
Você já amou uma mulher formosa.
Você já amou uma mulher
Silenciosa?
Que fala pouco.
E bem,
E baixo,
Que não eleva a voz por raiva
Nem má educação,
Que anda com seus pés de seda
Num mundo de algodão.
Que não bate, fecha a porta,
Como quem fecha o casaco
De um filho
(Ou abre um coração)?
Que quando fala, se aproxima
Ao alcance da mão
Pra que a voz não se transforme em grito?
E que absorve o mundo
Sem re-percussão
Num olhar de preguiça
Num colchão de cortiça
Como um mata-borrão?
Mas um dia ela sai
Levando o seu silêncio
De pingüim andando solitário em
sua Antártica
(ou Antártida),
No eterno
Gelo sobre gelo
No infinito
Branco sobre branco
E dos cantos e recantos
Onde habitou calada
- entre oniausente -
Brotam aos poucos,
Os ruídos
Pisados,
Colocados embaixo do tapete
Guardados na despensa
Na gaveta mais funda
De uma vida em comum.
Os trincos falam,
A cafeteira chia,
A espreguiçadora range,
O telefone toca,
As louças tinem,
O relógio bate,
O cão ladra,
O rádio mia,
Toda a casa ressoa, reverbera
e brada
E a orquestra em pleno do teu
dia-a-dia
Ataca a algaravia
Fabril
Escondida no lençol de silêncio
Com que ela partiu.
MILLÔR FERNANDES. Do seu livro POEMAS. Contido no CD-ROM “Millôr - Em busca da imperfeição“- 1999



Quero falar pouco. E bem, e baixo. Só o título já é brilhante “Poema para grande orquestra parada - Um silêncio bem alto” (grifos meus) que lembra “aquele silêncio, que pior que uma alarida” de Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas. Dois oximoros maravilhosos (e eu que adoro bons oximoros).
E sobre o poema, o que mais posso dizer? *Silêncio*
Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) foi gravada pela primeira vez por por Elizeth Cardoso em 1958 no disco Canção do Amor Demais. Acompanhada pelo violão de João Gilberto com a tal batida difererente, foi considerada o marco inicial da Bossa Nova.
Diz a ela, com letra de Ana Terra e musicada por Lisa Ono é cheia de referências invertidas à Chega de Saudade. As comparações podem ser feitas pela correspondência de cores na tabela abaixo (e o João que elas falam acredito ser o João Gilberto). A melodia é gostosa, a voz de Lisa Ono também. Se a intertextualidade foi proposital, ficou uma bela homenagem.
| CHEGA DE SAUDADE | DIZ A ELA |
| Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela Não pode ser, diz-lhe numa prece Que ela regresse, porque eu não posso Mais sofrer. Chega de saudade a realidade É que sem ela não há paz, não há beleza É só tristeza e a melancolia Que não sai de mim, não sai de mim, não sai Mas se ela voltar, se ela voltar, Que coisa linda, que coisa louca Pois há menos peixinhos a nadar no mar Do que os beijinhos que eu darei Na sua boca, dentro dos meus braços Os abraços hão de ser, milhões de abraços Apertado assim, colado assim, calado assim Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim. Não quero mais esse negócio de você longe de mim… |
Diz para ela graças a ela o sol nunca se apagou Para a menina que não rimava a dor Só pedia em oração que ela ficasse sempre perto de João É que a menina ouvia a perfeição é cria dessa união Diz para ela graças a ela o mar tem tantos peixinhos Não há tristeza é só beleza e paz |
*
DIZ A ELA 3′48
Lisa Ono / Ana Terra
Artista: Lisa Ono
Album: Bossa Carioca
CHEGA DE SAUDADE 4′21
Tom Jobim / Vinicius de Moraes
Artista: Tom Jobim
Album: Finest Hour
(Atualizado)
