
Em Morangos Silvestres (Smultronstället, 1957), de Ingmar Bergman, Agda (Jullan Kindahl) é a empregada do professor Isak Borg (Victor Sjöström). Quarenta anos trabalhando para a família e quando o velho Isak fica só é ela quem toma conta da casa e dele. E ele reconhece: “Ninguém arruma a mala como você, Agda.” Apesar da aparente rabugice, ela é um doce e faz jus ao nome: Agda vem do grego e significa boa. Quem não gostaria de ter uma Agda em sua vida? Eu estou na fila.
Boa Agda foi um post que publiquei a algum tempo em meu antigo blog e que republico agora em homenagem ao mestre Ingmar Bergman que morreu ontem.
O trabalho de Bergman não é de auto-ajuda, mas sempre me desperta o desejo de ser uma pessoa melhor. Gritos e sussurros (Viskningar Och Rop, 1972), por exemplo, como abriu minha alma à compaixão! Já Morangos silvestres (1957) me fez ver a beleza da amizade que independe de palavras bonitas, de frases bem elaboradas, mas que está ligada a atitudes singelas como fazer uma mala, levantar para fazer o café, interessar-se pelo bem-estar do outro ou ao menos ouvir.

Em Sonata de Outono - Höstsonaten, 1978 - adoro os diálogos de Eva (Liv Ullmann) e Viktor (Halvar Björk) seu marido (e as pequenas estantes de madeira de sua casa, imagine) e gostaria de entabular diálogos assim.

Trago a interpretação do magnífico Jean-Pierre Rampal com a Philadelphia Orchestra e regência de Eugene Ormandy para A dança dos espíritos abençoados que faz parte da ópera Orfeu ed Euridice de Christoph Willibald Gluck (1714 - 1787) mas que me remete mais ao trabalho de William Blake (1757-1827) acima Oberon, Titania and Puck with Fairies Dancing — inspirado na obra de Shakespeare Midsummer-Night’s Dream — e que está na Tate Gallery de Londres.
A música casa com a imagem, ou não?

O excelente poeta chileno Nicanor Parra e seu parragua (guarda-chuva em espanhol é paraguas), por isso o trocadilho com seu apellido (sobrenome). Ele tem site: visite seus poemas e criações. Vale a pena.
Por falar em paraguas, se Aquarela de Toquinho e Vinicius fosse em espanhol, veja como ficaria engraçada:
En una hoja cualquier yo dibujo un sol amarillo
Y con cinco o seis líneas es fácil hacer un castillo
Corro el lápiz alrededor de la mano y me doy un guante
Y se hago llover con dos trazos tengo un paraguas…
Mas, retornando a Parra, sabia que há muito ele já falava em natureza com a conotação de meio-ambiente em seus poemas? Confira. Vai ver que nem só de Pablo Neruda e Isabel Allende vive o Chile.
Autor: Arthur Schopenhauer
Tradução: Phillippe Humblé e Walter Carlos Costa
Fonte: Ateus.net
Seria bom comprar livros se pudéssemos comprar também o tempo para lê-los, mas, em geral, se confunde a compra de livros com a apropriação de seu conteúdo.
[...] Todo livro minimamente importante deveria se lido de imediato duas vezes, em parte porque na segunda compreendemos melhor as coisas em seu conjunto e só entendemos bem o começo quando conhecemos o fim; em parte porque, para todos os efeitos, na segunda vez abordamos cada passagem com um ânimo e estado de espírito diferentes do que tínhamos na primeira, o que resulta em uma impressão diferente e é como se olhássemos um objeto sob uma outra luz.
SCHOPENHAUER, Arthur. Über Lesen und Bücher, capítulo 24 de Parerga und Paralipomena (1851). Sobre Livros e Leitura foi originalmente publicado em edição bilíngüe pela Editora Paraula, em 1993, com reimpressão em 1994.
Envelhecer não é tão ruim como às vezes se imagina. Na minha adolescência, eu achava que, na idade atual [Lovelock nasceu em 1919, portanto tinha 87 anos quando publicou o livro em 2006], estaria fraco, deprimido e meio senil. Algumas dessas premonições se concretizaram, mas não todas, e embora eu consiga andar e subir uma encosta leve a seis quilômetros por hora, caminhar nessa velocidade nas montanhas já não é mais possível. Mas aprendi que a vida se renova a cada década. No meu caso, ela reiniciou a cada década a partir dos meus vinte anos. À semelhança da borboleta, os longos anos como larva e, depois, como pupa terminaram, e como disse a poetisa Edna St Vincent Millay:
My candle burns at both ends;
It will not last the night;
But, ah, my foes, and oh, my friends –
It gives a lovely light.*
*”Minha vela queima nas duas pontas; / A noite toda não vai durar; / Mas ah, meus inimigos, e oh, meus amigos - / Que bela luz ela dá!”
Texto extraído do mais novo livro de James Lovelock, A vingança de Gaia, p. 53, Ed. Intrínseca, 2006.

Primeiro foi Rilke & Rodin (2006) de Bernard Malaterre com Jacques Bondoux e Cyril Descours no Eurochannel: documentário dramático de um Rainer jovem, curioso, desejoso de aprender com o mestre Rodin, como ele o chamava. Em 1902 o ainda desconhecido Rainer Maria Rilke vai a Paris para escrever sobre o já famoso René-François-Auguste Rodin. Rilke o coloca num pedestal. Lembro que, quando garota, li de Myrtes Mathias: “Não se endeusam os homens. Um dia o ídolo cai do seu altar.” Acho que Rilke sentiu isso na pele. Mas veja quanta graça e beleza no que ele diz a Rodin: “ao redor do meu coração tem um silêncio profundo onde suas palavras são erguidas como estátuas” e “sua bondade é uma ave branca que voa ao meu redor antes de pousar no meu ombro”. Rodin, por sua vez, apresenta e justifica uma arte desenvolvida com esforço: “a única forma de alcançar a arte é com o trabalho”, diz. Sobre essa idéia de arte valorizada pelo trabalho, Adorno & Horkheimer escreveram em Dialética do Esclarecimento:
Platão baniu a poesia com o mesmo gesto com que o positivismo baniu a doutrina das Idéias. Com sua arte celebrada, Homero, segundo se diz, não levou a cabo nem reformas públicas nem privadas, não ganhou nenhuma guerra nem fez nenhuma invenção. Não sabemos, diz-se, da existência de numerosos seguidores que o tenham honrado ou amado. A arte teria, primeiro, que mostrar a sua utilidade [...]. Mesmo na distância renunciadora da vida, enquanto arte, ele permanece desonroso; as pessoas que o praticam tornam-se vagabundos, nômades sobreviventes que não encontram pátria entre os que se tornaram sedentários. A natureza não deve mais ser influenciada pela assimilação, mas deve ser dominada pelo trabalho (Grifos meus).

A quem se interessar, aqui as datas e horários quando o Eurochannel reexibirá o documentário: 05/07-04:00 05/07-22:30 06/07-11:00 13/07-06:00 15/07-01:30 23/07-00:00 31/07-22:00 01/08-09:00 04/08-07:00 11/08-10:30 15/08-02:00 15/08-17:30.
O Eurochannel também exibiu Mademoiselle Gigi (2005) de Caroline Huppert com Juliette Lamboley, Macha Méril, Françoise Fabian, Alexis Loret. O filme tem boa trilha sonora, com chansons francesas. Coincidentemente, ontem o canal TCM exibiu a versão da novela de Collete, o musical de Vicente Minelli de 1958. As datas em que o drama de Huppert será reexibido pelo Eurochannel, até o final do mês de agosto: 19/07-00:00 20/07-07:00 29/07-04:00 29/07-22:00 30/07-11:00 06/08-00:00 06/08-18:00 18/08-00:30 19/08-07:00 29/08-04:00 29/08-22:00 30/08-11:00.

Para coroar a semana, o canal Globo News reexibiu a entrevista feita com o filósofo John Gray (por favor, não é o John Gray de livros de auto-ajuda e de O segredo) em 2006 para o Milênio. Na entrevista John Gray reafirma que a crença no progresso é uma ilusão. Diz que o saber é a melhor ferramenta dos homens mas pode escravizá-los. Fala que o conhecimento não altera a natureza humana, ou seja, em decorrência os homens não terão mais sabedoria, bom-senso, autoconhecimento, humildade… Tudo o que o conhecimento provoca é poder. Poder, e não controle sobre a natureza. Muito bom.
E inspirada pela frase de Rilke, trago de Aquilino Ribeiro, Lápides Partidas, c. 10, p. 249, ed. 1945:
Pousam (as pombas) no chafariz e então me digo que o chafariz foi feito para elas, concebido por uma alma engenhosa de naturalista de modo a fornecer-lhes um ponto de apoio especioso em seus voejos.
Voejos… bonita palavra!
Fazendo supermercado, fui pegar uma caixa do tradicional Bis, waffer com cobertura de chocolate da Lacta mas, reparando melhor na gôndola, vi o que me pareceu ser sua imitação, o Sem Parar da Nestlé. A Nestlé é uma boa marca e talvez esse Sem Parar seja bom, pensei. Peguei uma caixa – vermelha, oposta ao azul do produto da Lacta — maior que a do Bis e por isso imaginei que conteria mais unidades. Isso ainda não sei, pois procurei na embalagem e não vi discriminação da quantidade (no caso do Bis são vinte unidades por caixa). Quanto ao peso líquido é menor: 120g contra os 140g da caixa do Bis. Então, por quê a caixa maior?
Fiquei um tanto decepcionada com a Nestlé por procurar chamar a atenção dessa forma. Pequenas atitudes fazem uma grande empresa ou apenas o lucro e a competição é que importam? Uma empresa como a Nestlé precisa recorrer a estratégias como esta para atrair mais consumidores?
Não sou fã de acúcar, por isso dificilmente compro doces e biscoitos e isso foi o pretexto para não levar nenhum dos dois produtos. O efeito do marketing foi contrário para mim.
