Aprendendo a Aprender


Quatro poemas, dois poetas e a velhice
31 Maio 2007, 7:09 pm
Arquivado em: *Isabela*, Leituras, Literatura, Poesia, Velhice

A TI, LEITOR

De Walt Whitman

Tu, leitor, que palpitas de vida e orgulho e amor, assim como eu,
Para ti, por isso, os cantos que aqui seguem.

(Tradução: Luciano Alves Meira )


RUMO A BIZÂNCIO

De William Butler Yeats

I

Este país não é para velhos. Jovens
Abraçados, pássaros que nas árvores cantam
- essas gerações moribundas -
Cascatas de salmões, mares de cavalas,
Peixe, carne, ave, celebrando ao longo do Verão
Tudo quanto se engendra, nasce e morre.
Prisioneiros de tão sensual música todos abandonam
Os monumentos de intemporal saber.

II

Um velho é coisa sem valor,
Um andrajo apoiado num bordão, a não ser que
A alma aplauda e cante, e cante mais alto
Cada farrapo da sua mortal veste.
Nem há escola de canto somente o estudo
Dos monumentos de seu próprio esplendor;
Por isso cruzei os mares e cheguei
À sagrada cidade de Bizâncio.

III

Oh, sábios que estais no sagrado fogo de Deus
Qual dourado mosaico sobre um muro,
Vinde desse fogo sagrado, roda que gira,
E sede os mestres do meu canto, da minha alma.
Devorai este meu coração; doente de desejo
E atado a um animal agonizante
Ele não sabe o que é; juntai-me
Ao artifício da eternidade.

IV

Da natureza liberto jamais de natural coisa
Retomarei minha forma, meu corpo,
Mas formas outras como as que o ourives grego
Em ouro forja e esmalta em ouro
Para que o sonolento Imperador não adormeça;
Ou em dourado ramo pousado, cantarei
Para damas e senhores de Bizâncio
Cantarei o que passou, o que passa, ou o que virá

(tradução: José Agostinho Baptista)


QUANDO FORES VELHA

De William Butler Yeats

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

(tradução: José Agostinho Baptista)


A VELHICE

De Walt Whitman

Vejo em ti o estuário que cresce e se espalha grandemente quando desemboca no mar colossal.

(tradução: Luciano Alves Meira)



Patchwork de Klimt
24 Maio 2007, 11:55 am
Arquivado em: *Isabela*, Artes

É inverno, faz frio…
Que tal um cobertor,
um patchwork de Klimt
pra ficar quentinho?

Começa com Adele Bloch-Bauer,
termina com um beijinho.

Detalhes de obras (reduzidas) de Gustav Klimt (1862-1918). Da esquerda para a direita e de cima para baixo (arriba hacia abajo), nomes dos trabalhos em inglês, francês e alemão e ano de criação: (1) Portrait of Adele Bloch-Bauer I, Portrait d’Adele Bloch-Bauer I, Bildnis Adele Bloch-Bauer (1907); (2) Adam and Eve, Adam et Eve, Adam une Eva (1917-18 ); (3) The Maiden, La Vierge, Die Jungfrau (1912-13); (4) The Friends, Les Amis, Freundinnen (1916-17); (5) Mother and Child of The three (st)age of woman (1905) (6) Portrait of Mäda Primavesi, Portrait de Mäda Primavesi, Bildnis Mäda Primavesi (1912); (7) The Dancer, La Danceuse, Die Tänzerin (1916-18 ); ( 8 ) Portrait of Adele Bloch-Bauer II, Portrait d’Adele Bloch-Bauer II, Bildnis Adele Bloch-Bauer II (1012); (9) The Kiss, Le Baiser, Der Kub (1907-08 ).

Votre attention, s’il vous plaît: o filme da vida de Klimt, com John Malkovich como protagonista e direção de Raoúl Ruiz foi lançado em 2006. Será que ficou bom?

klimt

Post relacionado: As lindas Water serpents de Klimt



Lady Murfy
22 Maio 2007, 3:08 pm
Arquivado em: *Isabela*, Marketing e Propaganda

Genial a nova campanha da Ford que apresenta Lady Murfy (trocadilho com lei de Murphy), personagem que aparece toda vez que o cliente Ford não faz a revisão do seu carro. A Lady Murfy tem até um *site de viagens* e o comercial “Pedágio” já está no Youtube. Clap, clap, clap para a agência JWT que bolou a campanha.



Os sonhadores de Bertolucci “picotado”
21 Maio 2007, 12:09 pm
Arquivado em: *Isabela*, Cinema, TV

O canal de TV Fox Life exibiu no dia 19/05, a partir das 22 horas, o filme Os sonhadores (2003) de Bernardo Bertolucci todo “picotado”: as cenas do Matthew usando a pia de mãos para urinar, da prenda que Isabelle mandou Theo pagar olhando o poster de uma atriz (Marilyn? Dietrich?), da prenda do Theo sobre Isabelle/Matthew etc, etc sumiram. Caramba, o filme ficou tão estranho… Sabe ou lembra (quem viu) quando Isabelle diz “eu e o Theo não assistimos TV. Somos puristas. Puros e fortes”? Tudo a ver. Cortar um trabalho que não é seu e, a priori, decidir que o espectador não vai querer (ou não faz questão de) assistir as cenas cortadas é, no mínimo, absurdo.



Dos nossos – parte II (ou) sobre o significado de gerânio
14 Maio 2007, 12:23 am
Arquivado em: *Isabela*, Aprendizes, Español, Música, Poesia

Em entrevista concedida ao Clarín, Marisa Monte disse “Soy apenas una aprendiz”. E foi de Gerânio (ouça aqui), composição da cantora em parceria com Nando Reis e Jennifer Gomes, que a tagline deste site foi garimpada:

Ela que descobriu o mundo e sabe vê-lo do ângulo mais bonito, canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes, sente e vive intensamente. Aprende e continua aprendiz, ensina muito e reboca os maiores amigos. (…) Despreocupa-se e pensa no essencial, dorme e acorda…

Ainda não captei o motivo (se é que há) para o título da música. A Wikipédia diz que “Gerânio compreende um grupo de ervas e pequenos arbustos dos gêneros Geranium e Pelargonium” e o nome do gênero deriva da semelhança do seu fruto com o bico de uma cegonha, pelargos em grego. E aí…?

Talvez sem conexão com minha dúvida, há o caso do gerânio ter sido escolhido — hace muchos años — pelo poeta guatemalteco Otto-Raúl González como um símbolo proletário. Um dos poemas *suyos* (rsrs) mais conhecidos é Voz y voto del geranio (o livro que leva este título foi publicado pela primeira vez em 1943). É um lindo poema que tem 20 partes e pode ser lido na íntegra aqui. Petisque apenas a Parte 2 – Residencia:

Pues la tierra es de todos y de nadie
el geranio se propaga por la tierra;
pues la luz es de todos y de nadie
el geranio mora en la luz;
pues el agua es de todos y de nadie
el geranio vive en el agua;
pues el aire es de todos y de nadie
el geranio se desplaza por el aire;
el geranio está en la tierra
y en el aire
y en la luz
y en el agua;

el geranio reside en todas partes.

Ele gravou este e outros poemas num CD chamado Quetzal (pássaro que é símbolo da liberdade da Guatemala e cuja imagem aparece na moeda do país, o quetzal). Abaixo o poema completo.



Prière – parte IV
12 Maio 2007, 7:46 am
Arquivado em: *Isabela*, Diversidade, Religião

Prayer



Dos nossos (ou) acho que ele também era aprendiz
11 Maio 2007, 10:21 am
Arquivado em: *Isabela*, Aprendizes, Filosofia, Leituras

Paul Valéry



Plegaria – parte III
10 Maio 2007, 12:03 am
Arquivado em: *Isabela*, Diversidade, Religião

Plegaria