Aprendendo a Aprender


Boa Agda
29 Setembro 2006, 12:00 am
Arquivado em: *Isabela*, Cinema

Em Morangos Silvestres (Smultronstället), de Ingmar Bergman, Agda (Jullan Kindahl) é a empregada do professor Isak Borg (Victor Sjöström). Quarenta anos trabalhando para a família e quando o velho Isak fica só é ela quem toma conta da casa e dele. E ele reconhece: “Ninguém arruma a mala como você, Agda.” Apesar da aparente rabugice, ela é um doce e faz jus ao nome: Agda vem do grego e significa boa. Quem não gostaria de ter uma Agda em sua vida? Eu estou na fila.

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Harald Blatand
27 Setembro 2006, 8:05 am
Arquivado em: *Isabela*, Variedades

Apache é um sestroso cavalo appaloosa greentooth. Filho de Mr. Tarot Black e, tal qual o pai, é fã de pão e deixa a timidez de lado para abocanhar qualquer pedaço que lhe seja oferecido e assim mostrar os verdes dentes de quem acabou de comer capim fresco.

A tecnologia Bluetooth, padrão para comunicação sem fio, de curto alcance, foi desenvolvida por um consórcio denominado Bluetooth SIG (Special Interest Group) formado, originalmente, pelas empresas Ericsson, Nokia, IBM, Intel e Toshiba e que atualmente conta com mais de 2500 empresas. A escolha do nome é uma homenagem ao o rei Harald Blatand, mais conhecido como Harald Bluetooth ou Harald Dente Azul que, com sua habilidade, conseguiu unificar a Dinamarca e a Noruega. Assim, a palavra-chave por traz de Bluetooth é unificação. Site oficial da Tecnologia Bluetooth.

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Falta
22 Setembro 2006, 12:00 am
Arquivado em: *Isabela*, Música

Pessoas assim deviam chegar aos 200 e não morrer aos 81 anos. Hoje é aniversário de sua morte.

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Concerto In D Minor For Two Violins and
Strings BWV 1043
II - Largo ma non tanto/Isaac Stern,
Violin/Pinchas Zukerman, Violin/St. Paul
Chamber Orchestra/Pinchas Zukerman (7:14)

Pablo de Sarasate 1844-1908
Zigeunerweisen (Gipsy Airs)
(Arr.: C. J. Roberts) Isaac Stern, Violin/
Franz Waxman, Conductor (8:15)

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Literatura inca
20 Setembro 2006, 12:00 am
Arquivado em: *Isabela*, Leituras

Em A civilização inca, publicado no Brasil pela Jorge Zahar Editor, no capítulo em que trata sobre a literatura inca, Henri Favre diz o seguinte:

A poesia, e em particular a poesia amorosa e elegíaca, era um gênero muito praticado e altamente apreciado. O poeta evocava, em textos curtos, a solidão do amante na ausência do ser amado, o tormento do homem que ama sem esperança, a nostalgia do tempo que passa, a inflexibilidade do destino. Sentindo seu fim próximo, o grande Pachakuti teria composto estes versos plenos de uma resignação estóica:

Eu nasci tal qual uma flor em um jardim.
Foi assim que cresci.
Depois veio a idade e envelheci,
E, quando tive que morrer, feneci
E morri.

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O agora
18 Setembro 2006, 12:01 pm
Arquivado em: *Isabela*, Marketing e Propaganda

Cartão publicitário que uma loja chamada Volúpia me enviou. No verso: “Todas as tendências esperam por você num mundo de tons, volumes e sobreposições. Não fique por fora, [...] aproveite nossas atrações e escolha a sua atitude.” [Atualização: esta loja fechou].

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Os lotófagos
15 Setembro 2006, 12:29 pm
Arquivado em: *Isabela*, Leituras

A primeira edição de Dialética do esclarecimento de Adorno & Horkheimer (1) saiu pela editora Querido em Amsterdam e completará sessenta anos em 2007. Estou pensando em fazer posts comemorativos sobre a obra até lá e este, talvez, seja o primeiro da série.

Neste livro, os autores utilizam trechos da Odisséia como testemunho da dialética do esclarecimento. Um dos episódios analisados é o dos lotófagos, os comedores de lótus.

Uma das primeiras aventuras do nostos (2) propriamente dito remonta, é verdade, muito mais alto, e até mesmo muito aquém da era bárbara das caretas e demônios e das divindades mágicas. Trata-se da narrativa dos lotófagos, dos comedores de lótus. Quem prova de sua comida sucumbe como os que escutam as Sereias ou como os que foram tocados pela varinha de Circe. Todavia, nenhum mal é feito às suas vítimas: ‘Os lotófagos nenhum mal fizeram aos homens de nosso grupo.’ (3) A única ameaça é o esquecimento e a destruição da vontade (grifos meus). A maldição condena-os unicamente ao estado primitivo sem trabalho e sem luta na ‘fértil campina’: (4) ‘ora, quem saboreava a planta do lótus, mais doce do que o mel, não pensava mais em trazer notícias nem em voltar, mas só queria ficar aí, na companhia dos lotófagos, colhendo o lótus, e esquecido da pátria’ (5).

Penso que a televisão brasileira tem sido um verdadeiro manancial de lótus. Ela bem que poderia ser uma aliada da educação, principalmente infantil, mas sua programação é superficial e comercial. No Bandnews, por exemplo, tem um Quiz que nos intervalos dos jornais vem com perguntas desse tipo: “Em que ano Ayrton Senna começou a correr de kart?” ou “Quantos banheiros tem o palácio de Versailles?” ou “Quem foi o criador da Barbie?”. Bem relevantes e instrutivas, não? Por que não fazem perguntas do tipo ‘Qual desses animais está ameaçado de extinção?’ ou ‘Por que esse político foi cassado?’”. Mas não, o que interessa é nos dar lótus fresquinho.

Comer lótus não é de todo ruim quando existe a possibilidade de escolha e quando ele não é o único prato da dieta. No entanto, vejamos este caso: ao conversar com a diretora de uma escola pública em um povoado, perguntei sobre o quadro de professores e respondeu que o quadro é “daqueles simples mesmo, de parede, verde, para escrever com giz”. Expliquei que queria saber quantos professores ensinam na escola, então me disse que, contando com ela, são duas. Além da direção, ela é responsável, no turno da manhã, por três turmas da segunda à quarta série e dá aula às três turmas numa mesma sala de aula. Não é de surpreender que ela tenha um aluno que está repetindo a primeira série pela sétima vez. Imagino que, depois da aula, esse e outros alunos devem assistir a programação de alguns desses canais de TV que oferecem lótus bem novinho.

Voltando a Adorno & Horkheimer (1):

Essa cena idílica — que lembra a felicidade dos narcóticos, de que se servem as camadas oprimidas nas sociedades endurecidas, a fim de suportar o insuportável –, essa cena, a razão autoconservadora não pode admiti-la entre os seus. Esse idílio é na verdade a mera aparência da felicidade, um estado apático e vegetativo, pobre como a vida dos animais (grifos meus) e no melhor dos casos a ausência da consciência da infelicidade. Mas a felicidade encerra a verdade.

Discordando de mestres. Quanto à última citação, a parte que grifei fala que a vida dos animais é pobre (6). Não sei qual o termo usado no original, mas os autores poderiam ter utilizado outro adjetivo porque pobre é desprovido e os animais, em seu comportamento natural, não têm uma vida assim. Eles caçam, lutam, copulam, alimentam a si e aos filhotes… qual a pobreza nisso?

(1) HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos / Max Horkheimer e Theodor W. Adorno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (2) Nostos, palavra grega que significa retorno, volta à casa, viagem (cf. “nostalgia”) (N. do T.) (3) Odisséia IX, 92 sg. (4) Ibid, XXII, 311, (5) Ibid, IX, 94 sgg. (6) Moderno Dicionário da Língua Portuguesa: po.bre adj m+f (lat paupere) 1 Desprovido ou mal provido do necessário. 2 Que tem poucas posses. 3 Que tem pouco dinheiro. 4 Relativo à pobreza ou caracterizado por ela. 5 Que indica pobreza. 6 Pouco fértil, pouco produtivo…

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Pop and kitsch
11 Setembro 2006, 12:00 am
Arquivado em: *Isabela*, Variedades

A Seiko lançou uma coleção de relógios baseada naquela famosa frase de Andy Warhol sobre quinze minutos de fama. Eu achei a cara dele.

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Nosso irmão
6 Setembro 2006, 2:18 pm
Arquivado em: *Isabela*, Música, SerTão

Improviso do grande Luiz Gonzaga, rei do baião, quando cantou “Apologia ao jumento — o jumento é nosso irmão”, composição em parceria com José Clementino e que é muito, muito engraçada.

O jumento é nosso irmão, quer queira ou quer não. O jumento sempre foi o maior desenvolvimentista do Sertão. Ajudou o homem na lida diária, ajudou o homem, ajudou o Brasil a se desenvolver. Arrastou lenha, madeira, pedra, cal, cimento, tijolo, telha. Fez açude, estrada de rodagem. Carregou água pra casa do homem. Fez a feira em cima de montaria. O jumento é nosso irmão. E o homem, em retribuição, o que é que lhe dá? Castigo, pancada, pau nas pernas, pau no lombo, pau no pescoço, pau na cara, nas orelhas. O jumento é bom, o homem é mau. E quando o pobre não agüenta mais o peso de uma carga e se deita no chão, vocês acham que o homem chega e ajuda o bichinho a se levantar? Hum! Pois sim! Faz é um foguinho debaixo do rabo dele. O jumento é bom. O jumento é sagrado. O homem é mau. O homem só presta pra botar apelido no jumento. O pobrezinho tem apelido que não acaba mais: babau, gangão, bregueço, imagem do cão, mosqueiro, corneteiro, seresteiro, sineiro, reloje… Ele dá a hora certa do sertão. Tudo isso é apelido que o jumento tem: astronauta, professor, estudante, advogado das bestas. É chamado estudante porque quando o estudante não sabe a lição da escola, o professor grita logo: “Você não sabe porque você é um jumento”. E o estudante, pra se vingar, botou o apelido no jumento de professor, porque o professor ensina a ler de graça. Pois sim. Quem ensina a ler de graça é o jumento. É assim: a, e, i, o, u, u, ipsilone, ipsilone… Só não aprende a ler quem não quer. Esse é o jumento nosso irmão. Animal sagrado. Serviu de transporte pra Nosso Senhor quando ele ia para o Egito. Quando Nosso Senhor era pirritotinho. Todo jumento tem uma cruz nas costas, não tem? Pode olhar que tem. Todo jumento tem uma cruz nas costas. Foi ali que o menino santo fez um pipizinho, por isso ele é chamado de sagrado. Jumento meu irmão, o maior amigo do Sertão. Ele é cheio de presepada, sim senhor. Uma vez ele me fez uma, menino, que eu não me esqueci mais. Quando dá as primeiras chuvas do Sertão, a gente planta logo um milhozinho num munturo da casa da gente porque dá ligeiro e é milho doce. Dá ligeirinho, ligeirinho. O jumento cismou de ser meu sócio. Eu disse: “Eu pego ele…” Quando ele invadiu minha roça, eu preparei uma armadilha, cheguei perto dele e disse: “Comendo meu milho, hein? Vou lhe pegar!” Ele balançou a cabeça, ligou as antenas, troceu o rabo, troceu, troceu, troceu, deu corda e disparou. Deu um pulo tão danado na cerca que nem triscou na minha armadilha. Correu uns dez metros, deu meia-volta, olhou pra mim e me gozou: “Seu Luizzzz! Seu Luiz, comi seu mi e como, e como, e como.” Fi da peste, comeu mesmo, mas eu gosto dele porque ele é servidorzinho que é danado. Animal sagrado, jumento meu irmão, eu reconheço o teu valor, tu és um patriota, tu és um grande brasileiro. Eu tô aqui jumento, pra reconhecer o teu valor meu irmão!

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