Um dos templates que mais gosto é o do La Petite Claudine: uma Santa Ceia de chinesinhas com lenços vermelhos.
Se eu tivesse uma lista de templates favoritos ele figuraria no topo.
Outro, também muito interessante, é o do blog Mulher de Fases:

O da Casa do Poster é muito bom também. São três opções com personagens de desenhos animados, pin-ups e uma propaganda antiga do Philip Morris. Na categoria “cigarros” ainda tem do Belmont, do Continental, do Astoria e até do Chesterfield!
Curioso foi que, quando vi essas propagandas, lembrei logo de Holiday Golightly, aquela que sonhava em tomar café da manhã na Tiffany’s mas, coitada, que azar… acabou vindo parar no Brasil (não no filme, mas no livro).
No país do carnaval ficou conhecida como Bonequinha de Luxo — na pele de Audrey Hepburn — e usava uma piteira, idéia de Blake Edwards. Porém, no livro, ela adorava fumar Picayunes: “O sabor é de matar. Mas é divino”, disse.

Na categoria “filmes” tem um dos posters que mais gosto: o interior do Rick’s Café Americain no filme Casablanca, com Sam ao piano.
You must remember this… as time goes by.
Em uma propaganda antiga do Chokito, uma professora pergunta qual a fórmula da água e o aluno responde “Leite condensado caramelizado com flocos crocantes coberto por um delicioso chocolate Nestlé”. Depois (ou antes?) teve outra com uma garota que pára diante de colegas na escadaria da escola, rouba um Chokito de um dos garotos e desafia “Vamos apostar: quem acertar o que tem no Chokito, sem gaguejar, ganha um beijo”.
Essas duas propagandas foram boas e criativas e martelaram tanto a frase “barra recheada de leite condensado caramelizado coberto com flocos crocantes e o delicioso chocolate Nestlé” que basta ouvi-la para o neurônio mais preguiçoso automaticamente associá-la ao Chokito.
Agora, em um novo comercial, colocaram um garoto metido a esperto que diz, na maior falsidade, só para ganhar a barrinha de Chokito: “Sabia que você é o melhor vô do mundo?” e depois “Sabia que você é o melhor porteiro do mundo?”. E o bobão do vovô e o bestão do porteiro dão o chocolate a ele, reforçando a idéia de que manipular os outros para conseguir o objeto de desejo é coisa de gente esperta, engraçada e que se dá bem na vida.
Se o garoto fosse meu sobrinho e quisesse me passar a perna dizendo “Sabia que você é a melhor tia do mundo?” para ganhar o chocolate, a minha resposta seria: “Eu poderia até te dar o chocolate mas, como você quis bancar o esperto com a titia, agora vai ficar miando porque nem uma mordidinha no Chokito eu vou deixar você dar”.

O filme é Bleu (A liberdade é azul) de Krzysztof Kieslowski, a trilha sonora de Zbigniew Preisner e a voz feminina, suave e linda é de Juliette Binoche.

Um dos trabalhos que mais gosto de Antônio Poteiro (a começar pelo título).
Se devemos admirar a japonesa — e efetivamente devemos — é porque ela não se suicida. Seu ideal é alvo de conspiração desde a mais tenra infância. O interior de seu cérebro é banhado em gesso: “Se não estiveres casada aos vinte e cinco anos, terás mesmo bons motivos para te envergonhares”, “se rires, não terás classe”, “se teu rosto exprime um sentimento, és vulgar”, “se mencionares a existência de um pêlo em teu corpo, és imunda”, “se comeres com prazer, és uma porca”, “se sentires prazer em dormir, és uma vaca” etc. Tais preceitos seriam anedóticos se não grudassem nas mentes.
Pois no fim das contas o que se está dizendo à japonesa através desses dogmas absurdos é que não se deve esperar nada de belo. Não esperes gozar, pois teu prazer te aniquilaria. Não esperes apaixonar-te, pois não vales a pena: os que viessem a te amar te amariam por tuas miragens, nunca por tua verdade. Não esperes que a vida te proporcione o que quer que seja, pois cada ano que passar te tirará algo. Não esperes sequer uma coisa tão simples quanto a calma, pois não tens qualquer motivo para sentir-te tranqüila.
Espera trabalhar. São poucas as chances, dado o teu sexo, de que te eleves muito, mas esperes servir tua empresa. Trabalhar te permitirá ganhar dinheiro, do qual não retirarás alegria alguma, mas do qual poderás eventualmente prevalecer-te, em caso de casamento, por exemplo — pois não serás tola o suficiente para supor que alguém possa querer-te por teu valor intrínseco.
A parte isto, podes esperar chegar à velhice, o que entretanto não tem o menor interesse, e não cair em desonra, o que é um fim em si. Termina aí a relação de tuas esperanças lícitas.
E aqui começa a interminável sucessão de teus deveres estéreis. Deverás mostrar-te inatacável, pelo simples motivo de que é o mínimo que se pode exigir. Ser inatacável nada significará para ti senão ser inatacável, o que não é motivo de orgulho nem muito menos de volúpia.
Eu jamais seria capaz de enumerar todos os teus deveres, pois não há um minuto de tua vida que não seja comandado por um deles. Por exemplo, mesmo quando estiveres isolada no banheiro para a humilde necessidade de aliviar a bexiga, terás a obrigação de cuidar para que ninguém venha a ouvir a musiquinha de teu riacho: terás portanto de puxar a válvula de descarga sem descanso. [...]
Tens fome? Come pouco, pois deves permanecer esbelta, não pelo prazer de ver as pessoas se voltarem para tua silhueta na rua — o que não acontecerá –, mas porque é vergonhoso ser roliça.
Tens o dever de ser bela. Se o conseguires, tua beleza não te será motivo de volúpia alguma. Os únicos cumprimentos que receberás partirão de ocidentais, e bem sabemos como eles são destituídos de bom gosto. Se admirares tua própria beleza no espelho, será com medo, e não por prazer, pois tudo que tua beleza te proporcionará será o terror de perdê-la. Se és uma bela jovem, não serás grande coisas; se não és uma bela jovem, serás menos que nada.
Tens o dever de casar-te, de preferência antes dos vinte e cinco anos, que serão tua data de vencimento. [...]
Tens o dever de ter filhos, que tratarás como divindades até os três anos de idade, quando sem contemplação os expulsarás do paraíso para inscrevê-los no serviço militar, que durará dos três aos dezoito anos, e logo dos vinte e cinco anos até a morte. [...]
Achas terrível tudo isto? Pois não és a primeira. É o que pensaram tuas semelhantes desde 1960. Bem vês que de nada adiantou. Muitas delas revoltaram-se e talvez venhas também a revoltar-te durante o único período livre de tua vida, entre os dezoito e vinte e cinco anos. Mas aos vinte e cinco anos te haverás de dar conta subitamente de que não estás casada, e sentirás vergonha. Trocarás tua roupa excêntrica por um tailleur comportadinho, collants brancos e escarpins grotesco, submeterás tua magnífica cabeleira lisa a um brushing lamentável e te sentirás aliviada se alguém — marido ou patrão — te quiser.
O texto acima foi extraído do livro Medo e Submissão publicado pela Record (título original belga Stupeur et Tremblements). Vencedor do Grande Prêmio da Academia Francesa, o livro narra a experiência da autora — a belga Amélie Nothomb — como estagiária numa empresa japonesa. O romance virou filme em 2003, dirigido por Alain Corneau, com Sylvie Testud no papel da jovem Amélie — que recebeu o César de melhor atriz por sua atuação.
Amélie, que nasceu no Japão onde seu pai foi embaixador, volta para lá depois de concluir a universidade e, como domina a língua japonesa, é contratada por um ano como tradutora da empresa Yumimoto mas termina servindo cafezinhos, entregando correspondências, mudando as datas dos calendários, tirando xerox, cometendo muitas gafes e levando muitas broncas. Sua chefe direta, Fubuki Mori, a quem Amélie admira, entra em conflito cultural com a subordinada pois acha que esta, ao não fazer os trabalhos corretamente, a está boicotando. Até que um dia, como castigo por ter visto sua chefe chorando, Amélie é designada para trocar o papel higiênico e limpar as privadas dos banheiros femininos e masculinos da empresa. Assista aqui ao trailer do filme, no link Bande Annonce.
O livro é leve e pode ser lido em uma tarde. Mas ninguém se engane: embora a autora relate de forma divertida sua experiência na Yumimoto, o que ela passou dá o que discutir. E o filme — que tem uma linda composição de Bach como trilha sonora — proporciona boas risadas.
Têm aparecido umas buscas por músicas e poemas sobre ecologia e poluição neste blog. Conheço uma e, como sou boazinha, vou dar essa palhinha. É uma música de Luiz Gonzaga.
Não posso respirar, não posso mais nadar
A terra está morrendo, não dá mais pra plantar
Se plantar não nasce se nasce não dá
Até pinga da boa é difícil de encontrar
Cadê a flor que estava aqui?
Poluição comeu
E o peixe que é do mar?
Poluição comeu
E o verde onde é que está?
Poluição comeu
Nem o Chico Mendes sobreviveu.


