Aprendendo a Aprender


Essência ou um amontoado de coisas?
30 Maio 2006, 12:01 am
Arquivado em: *Isabela*, Leituras

Lo bueno, si breve, dos vezes bueno;
y aún lo malo, si poco, no tan malo:
más obran quintas esencias, que fárragos.
(Baltasar Gracián)

O que é bom, se for breve, torna-se bom duas vezes;
e mesmo o mal, se for pouco, parece menor:
mais efeito causam as quintessências do que as farragens.

Peguei no livro Tratado sobre a honra de Arthur Schopenhauer que aqui no Brasil foi publicado pela editora Martins Fontes com o título A arte de se fazer respeitar para combinar com dois outros trabalhos do mesmo autor lançados anteriormente pela mesma editora: A arte de ter razão e A arte de ser feliz. O livro é pequeno — apenas 62 páginas — e não é de difícil leitura pois é um manual de máximas. E Schopenhauer era uma figura.

Então: essência ou um amontoado de coisas?

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Meia sênior
23 Maio 2006, 12:00 am
Arquivado em: *Isabela*, Variedades

Comprando ingressos pela internet a filha descobriu algo interessante e comentou com sua mãe cinquentona:

– Tenho uma ótima notícia!
– …?
– Quando você completar sessenta anos vai pagar apenas meia-entrada para o cinema!!!
– Putz, pensei que era uma notícia do tipo vai entrar dinheiro na sua conta… E você acha que quero isso? Eu me recuso a entrar em fila preferencial para idosos e mostrar a carteira de identidade para pegar desconto em shows e cinema.
– Deixa de ser boba! Se você for até aos oitenta já pensou no quanto vai economizar?

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Solução solúvel
22 Maio 2006, 9:56 am
Arquivado em: *Isabela*, Variedades

Foi engraçado quando assistindo a uma série da TV Cultura sobre o crescimento econômico do café no Brasil, ouvimos um trocadilho que pode ter sido feito sem querer. Uma voz feminina narrava que devido a uma superprodução o preço do café caiu e, para contornar a crise, estoques foram queimados. Só que, ao invés de destruir o café, seria melhor industrializá-lo e assim “o solúvel seria a solução” para o problema.

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Ah, Rita…
15 Maio 2006, 9:59 am
Arquivado em: *Isabela*, Cinema

Gilda é de 1946, portanto, sessenta anos em que ela fez o marcante strip-tease de luvas.

Put the blame on Mame boys.

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Catingueira
11 Maio 2006, 6:53 pm
Arquivado em: *Isabela*, SerTão

A catingueira é uma leguminosa e não cresce muito, não: fica uma arvoreta. É bastante resistente e adaptada ao clima semi-árido — já vi algumas crescendo em pequenas rochas! Mesmo durante boa parte da estação seca, ainda fica verde e viçosa. Seria um bom alimento para os animais se o cheiro de suas folhas não os afastasse.

Os galhos de catingueiras que estão na carroça — na foto abaixo — serão utilizados na preparação da ração para o gado. Não parece uma big salada?

Eles serão triturados e misturados à pedaços de palma, leucena e gliricídia, bem como farelo de trigo, para dar um toque. Acompanhados de outros ingredientes, seu cheiro não sobressai. Acho que o gado nem percebe. Aí está o resultado:

Agora, é só chamar a turminha para comer…

– Não está delicioso, garotas?

– Mooooom!!!! — elas respondem em uníssono.

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Erroll Garner
10 Maio 2006, 11:47 am
Arquivado em: *Isabela*, Jazz, Música

Comprei, baratinhos — por R$ 11,90 e R$ 9,49, respectivamente e, um deles, nas Americanas – estes cds de Erroll Garner.

Pianista e compositor de jazz, começou tocando de ouvido — aos tês anos, já tocava — e nunca aprendeu a ler partitura. Sua composição mais famosa é Misty.

As músicas destes cds foram interpretadas de forma bem leve e podem ser ouvidas enquanto se almoça, lê, trabalha no computador…

Ouça duas delas:

Moonglow

All of me

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Uma prosa no meio da feira
3 Maio 2006, 5:20 pm
Arquivado em: *Isabela*, Ruralidades, SerTão

Quase todo mundo vai à feira-livre na sede do município. É um dia bom para rever os conhecidos, saber as novidades e ter um dedinho de prosa entre uma compra e outra.

Dois compadres se encontram:

– Ô rapaz! Tudo bom? O que é que tem feito?

– Muito rastro1… ando tão atacado2 ultimamente, trabalhando muito. Agora, na seca, tenho que preparar a ração todo santo dia. E o compadre sabe que uso pouco concentrado senão, com o preço do leite tão baixo, não sobra nem o dinheiro da feira. Praticamente sozinho, só um filho me ajudando… o dia é curto pra tanta coisa. Ando tão desaconsoado3… Mas, mudando de pato pra ganso, Primavera já pariu? Deu boinha de leite?

– Ah, foi uma boa compra que lhe fiz. Pariu uma bezerra linda. Está dando 10 litros.

– Boa, boa… Eu estou com um problema sério de carrapato… Não sei mais o que faço. Nem o veneno os bichos respeitam mais. Estão resistentes.

– Faça catação até o final do surto, compadre. É ter paciência, deixar o gado no chão batido para que as larvas que caem não se alojem no capim. A novilha que lhe comprei já está sem carrapato. Foram quarenta dias de catação. Se tivesse soltado a bichinha no pasto daquele jeito, teria contaminado os outros animais. Toda vez que aparece carrapato, separo o animal até por sessenta dias e cato até o surto acabar.

– E a mosca-dos-chifres tem conseguido controlar?

– Você nem imagina o que descobri! A gliricídia é repelente! Quando o surto vem, pulverizo o gado todos os dias com uma mistura de água, detergente neutro e o sumo da gliricídia. De primeiro eu aplicava com óleo de eucalipto, que é muito bom também, mas agora que descobri a gliricídia foi melhor porque não preciso mais comprar o óleo. É aplicando e as moscas caindo. Além disso, durante todo o ano, dou uma mistura contendo alho e enxofre.

– O compadre inventa… vou barrunfar4 esse preparado também. E ainda está dando catingueira5 ao gado?

– Se estou! Misturo na ração com palma e gliricídia ou leucena e as vacas nem sentem. Comem tudo, porque gado não cospe… A palma e a silagem rendem e, ainda por cima, já que a catingueira tem muito tanino, ajuda no controle dos vermes também.

– Eu segui seu conselho e não estou mais derrubando as árvores do pasto. Aqui e acolá deixo um pé de juazeiro, catingueira, umbuzeiro… E já reparei que as folhas que caem das árvores engordam a terra. Debaixo das árvores o capim cresce mais. E o pasto fica agradável, uma fresca boa…

– É verdade. Mas olhe, quando o compadre tiver uma fuga6 apareça pra gente prosar um pouco.

– Qualquer dia desses dou um pulo por lá7 para me enterter8 um pouco.

*   *   *

1 – Expressão que quer dizer “trabalhando muito”
2 – Ocupado
3 – Corruptela de desacorçoado que vem de descoroçoar (perder a coragem, desanimar, tirar o ânimo)
4 – Corruptela de borrifar
5 – Leguminosa. Planta da caatinga. Depois posto fotos.
6 – Um tempo, possivelmente corruptela de folga
7 – Dar uma passadinha, fazer uma visita
8 – Corruptela de entreter

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