Aprendendo a Aprender


Tota
27 Abril 2006, 6:00 pm
Arquivado em: *Isabela*, Figuras, Ruralidades, SerTão

Não sei seu nome completo, mas sei que é viúvo, vive sozinho em seu próprio terreno — esse lugar aí da foto — e procura uma companheira. Mas, pelo visto, vai demorar para encontrar pois, normalmente, as mulheres não gostam de morar no rural. Se ele tivesse uma casa na rua — como se diz por aqui para designar a cidade mais próxima — talvez fosse mais fácil.

Às vezes, também faz uns bicos como cerqueiro e seu trabalho sai bem-feito. Chega para o serviço em um jumentinho, tão pequenininho, que não sei como agüenta um homem no lombo. Mas Tota é magro e baixinho… Outro dia, avistei, bem ao longe, esse jumentinho chegando. Era bem cedo, ainda. Corri, peguei o binóculo e fui espiar. Foi aí que vi Tota montado no bichinho.

Aqui, o fetiche da maioria das pessoas é ter moto e celular. Tota não foge à regra e já comprou o celular. Primeiro ele pediu, aí demos um Oi a ele. Mas ele queria da Vivo, que pega melhor o sinal, daí deve ter vendido o outro e comprou da marca que queria. Quem sabe, agora, esteja querendo uma moto… Sorte do jumentinho.

Há algum tempo atrás ele teve um problema nas vistas — como se diz por aqui. Deve ser por isso que está usando óculos escuros. A luminosidade no sertão é muito forte.

E já gosta de uma prosa… Se a gente ficar na fazenda no final de semana, é quase certeza receber sua visita. Aparece todo arrumado, é outro Tota.

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Peter Walsh
21 Abril 2006, 10:29 am
Arquivado em: *Isabela*, Leituras

Fui,
mas voltei;
desandei o caminho
pensando encontrar um lugar
onde sentar-me.
Agora estou aqui
e nada mais importa
não importa,
não importa.

P.S.: Peter Walsh, personagem de Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf.
Parte do texto acima é uma adaptação de trecho da p. 56 do livro.

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Nós
16 Abril 2006, 10:38 pm
Arquivado em: Leituras

Se eu tivesse sido
não seria
como não fui
sou.
Se eu tivesse sido
seria
como não fui
não sou.
Se eu tivesse sido
seria
como fui
sou.
Se eu tivesse sido
não seria
como fui
não sou.
Hum…
e se eu não tivesse sido?
então seria
como fui
sou?
Ah,
mas se eu não tivesse sido
não seria
como fui
não sou.
Sou
não sou
sou
não sou.

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Um consenso, por favor!
6 Abril 2006, 10:27 am
Arquivado em: *Isabela*, SerTão

Percebi, fazendo uma pesquisa, a confusão que é feita ao se tratar do Semi-Árido. Ora ele é chamado Sertão, ora Caatinga, ora Semi-Árido. Ora o Semi-Árido é clima, ora é região. Em alguns textos os três termos são usados para designar a mesma coisa, sem contar o conflito que o critério político-eleitoreiro na delimitação do Semi-Árido traz ao desconsiderar a isoieta anual de, no máximo, 800 mm. Também já vi alguém falando que a Caatinga é a flora do Semi-Árido.

Para complementar, tem um vídeo sobre a Caatinga da The Nature Conservancy que é veiculado no canal Bloomberg com confusões como essas. Se não me engano, a voz é da Regina Casé. O texto diz que a Caatinga é uma fauna e depois arremata: “A seca, quer dizer, a Caatinga…” Inclusive, no site da instituiçao, há algum tempo vi um erro gritante. Eles dizem que “a Caatinga é uma vegetação arbustiva do seminário nordestino”, quando deveriam ter dito do Semi-Árido — se bem que a Caatinga não se resume à vegetação e, muito menos, apenas arbustiva.

De acordo com os meus parcos conhecimentos, a seca é um fenômeno decorrente da escassez ou ausência prolongada de chuvas — podendo ocorrer na Amazônia, no sul do País e em outros países — e a Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro que abriga fauna e flora (cuja vegetação é arbustiva-arbórea). Mas, eu sou apenas uma Administradora e mestranda em Ciências Sociais e não a última palavra sobre este assunto. Bom mesmo seria se um grupo de geógrafos e biólogos desenvolvesse um estudo sobre esse tema.

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Trovoada
5 Abril 2006, 12:17 pm
Arquivado em: *Isabela*, Música, Variedades

O ronco da trovoada
Estremece os corações
Nas capitais dos estados
Nos pequenos povoados
Lá pros lados dos sertões

Quando o tempo faz zoada
Na voz grave dos trovões
Eu acho que alguém já disse
Que é como se então se abrisse
a jaula para os leões
Estremecem os corações

Acredite se quiser
Que o Cavaleiro das luas e das estrelas
Abriu o céu, desceu e me ofertou
Um livro aberto na página brilhante
Que nesse instante uma poeira iluminada
me assustou
Falava de Andrômeda,
A dona da constelação do Escorpião,
Falou de outra estrela na ponta do Cruzeiro aqui do Sul,
Falou das quatro luas
A nova, a que cresce, a cheia e a que diminui
Que a primeira, quando se esconde na escuridão,
é de mentira, pra nos tomar o coração
Me ensinou coisas que vi
E que nem são daqui
E, de repente, acordei com o ronco…

(Gilberto Gil e Milton Nascimento)

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Ocaso
3 Abril 2006, 10:41 pm
Arquivado em: *Isabela*, SerTão

Correndo aqui, correndo ali, correndo lá
pensando aqui, pensando lá, não vi…
Nem posso me escusar, não era cedo.
Se é de manhã, faz frio, a cama é boa…
Os sonhos? As vezes.
Mas, depois de tudo, olhar-te me faz bem.
E o que apenas preciso fazer? Parar.

Foto: Isabela

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