Aprendendo a Aprender


Cuadras Rojas
31 Janeiro 2006, 11:25 am
Arquivado em: *Isabela*, Español, Leituras

Inútiles detalles.
Ahogarse en un océano
de tristezas sin límites
que nadie hay que olvidar.

Lo dicho así está
cada uno es libre
la trayectoria es suya
es evidente que sí.

Nuestra vida
como nosotros tenemos
aunque nos escape
el disfrute físico.

Al interés
proximidad fascina
inspira placer
es digna de atención.

Mas hay que repetirlo:
estrechas conexiones internas
producen situaciones
de dominio sucesivo.

No escaparemos
sin perder
el conjunto limitado
de los prestigios.

No se puede encadenar más, todavía,
las complicaciones
cubiertas de maleza
que vinculan para nosotros.

Siente y respira.
Arbitrarios y locos
¡Cómo han subrayado todo!
Se han visto los peligros del retorno.

El soliloquio
en un instante
recuerda un silencio de muerto.

***

Foi assim:
Eu estava lendo o texto Vida y muerte de la imagen de Régis Debray. Depois que terminei, fui catando algumas palavras - uma, duas ou três por folha - sem qualquer critério. Dei uma manipulada nelas e esse “poema” surgiu. Foi a primeira vez que fiz isso com palavras.
O título “Cuadras” porque está escrito em quadras e também é o sobrenome de um dos autores do livro Modernidad y Comunicación Social que contém esse texto do Debray e de autores como James Curran, Fredric Jameson, Alain Renaud, Mike Featherstone, Giovanni Bechelloni e outros. “Rojas” também é pelo sobrenome do autor do livro e pelo poema ser um tanto passional.
Mas o texto que serviu como fonte - o do Debray - não tem nada a ver com o que resultou aí. Trata sobre as eras ou etapas da midiasfera que ele apresenta como sendo logosfera, grafosfera e videosfera. Nesse texto, que é um capítulo do livro Historia de la mirada en occidente, ele faz uma crítica a essa forma “limitada” de declinar o tempo da arte em antigo, medieval, clássico, moderno, contemporâneo, conforme aprendemos na escola. E diz que a história do “olho” não se ajusta à história das instituições, da economia ou do armamento: tem direito, nem que seja no ocidente, a uma temporalidade própria e mais radical. Diz também que ninguém escapará à confusão continuista em que está submersa a história oficial da arte se não toma medidas conceituais e terminológicas. É assim que ele apresenta essa terminologia nova, os três conceitos chaves que mencionei acima.

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Andy’s stall
21 Janeiro 2006, 12:00 am
Arquivado em: *Isabela*, Figuras, Variedades

Being good in business is the most fascinating kind of art.
[Ser bom nos negócios é a arte mais fascinante.] (Andy Warhol)

Créditos: imagens obtidas no Google e photoshopadas por mim.
(A caricatura foi garimpada aqui).

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Desconstruindo Duchamp
18 Janeiro 2006, 11:52 am
Arquivado em: *Isabela*, Variedades

Recentemente, em Paris, um artista de 76 anos atacou a Fonte de Marcel Duchamp. Preso, ao ser questionado, disse que estava fazendo um trabalho de arte. A notícia completa aqui ou aqui.

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Essas cores…
14 Janeiro 2006, 11:52 am
Arquivado em: *Isabela*, Pinturas

…os amarelos — principalmente — lembram os de Vincent van Gogh.

Eu acho.

Mas a tela acima é de um artista da minha cidade, chamado Caã.

E então?

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Por una cabeza
10 Janeiro 2006, 1:00 pm
Arquivado em: *Isabela*, Español, SerTão, Variedades

– Isso aconteceu há três dias. Acordei de madrugada com um barulho na janela. Aquela da lateral que basta um empurrão e ela abre. Era a maior pantomia no quintal: o cachorro latia, os pintos piavam, os bezerros berrando e, de vez em quando, umas batidas: toc, toc… Queriam fazer medo a gente, só pode.

Ofereci-lhe uma mariola:

– Quer?

– Não, obrigada. Cresce a barriga.

Fui tirando o papel celofane…

– Era esse barulho que eu ouvia! Como se estivessem descascando a bala para botar no revólver!

– Mas bala de revólver não se descasca - falei.

– Sei lá! Quando a gente fica nervosa pensa em tudo…

Fomos andando para a casa de Zé dos Penados. É perto. Ele viu na televisão um casal dançando tango e cismou que queria aprender. Sua filha comprou um curso em  DVD pela internet. Agora, depois de muito treinar com Zezé da Saúde, sua mulher, convidou a comunidade para assistir ao show.

Terreiro varrido — só umas poucas folhas de algaroba que teimaram em cair. Muitas motas, como se diz por aqui. Acredito que deve ser porque é um substantivo feminino. Então, por que não terminar com “a”? A mota. Faz sentido. E a moto(a) substituiu o cavalo, mesmo. É um fetiche: moto e celular. Combo.

Fresquinha boa a essa hora. A lua redondona nascendo. Um saruê desavisado resolveu aparecer. Foi um reboliço. Os molecotes correndo atrás, o cheiro subindo. Uma pessoa não deixou passar:

– Menino tem cada pantinho…

Uma ruma de gente. Um acontecimento. Alguns pensando que Zé dos Penados ia dançar de tanga.

– Vai ser uma presepada ver um homem de tanga.

– Não… é uma dança nova, da moda. O nome é tango.

– Olha as ponseiras dela, que lindas!

– Está de simpatia agora? Combinou!

– O que você fez para ficar com esse cabelo tão liso? Foi ciganinha?

– Lá vem Marta de Zé de Noé. Toda maletrosa depois que teve o filho…

O genro de Tonho de Fazendeiro, marido de Aninha, chegou com o braço arranhado, sangrando, a roupa toda bungada. Disse que não viu um catabio na estrada e caiu da moto(a). Deram sumo de samba-caitá para lavar o ferimento.

Por una cabeza de un noble potrillo
que justo en la raya afloja al llegar
y que al regresar parece decir:
No olvides, hermano, vos sabés que no hay que jugar…
Por una cabeza, metejón de un día,
de aquella coqueta y risueña mujer
que al jurar sonriendo, el amor que está mintiendo,
quema en una hoguera todo mi querer.

Por una cabeza
todas las locuras,
su boca que besa
borra la tristeza,
calma la amargura.

Por una cabeza
si ella me olvida
qué importa perderme,
mil veces la vida
para qué vivir…

O passional tango, na voz de Carlos Gardel, começa a tocar… Depois, o leilão de coisas da terra. E eu interessada em arrematar um capão para fazer um pirão, daqueles ó.

*   *   *

Pantomia - possivelmente corruptela de pantomima, mas que neste caso foi usada para designar barulho, alvoroço
Saruê - gambá, cangambá, sariguê
Pantinho - besteira, criancice, asneira
Ponseiras - corruptela de pulseiras
Simpatia - franja
Maletrosa - mal-feita de corpo
Bungada - enxovalhada
Catabio - buraco
Zé dos Penados - José dono de uma loja que vende foices (penados)
Zezé da Saúde - Maria José que trabalha na Secretaria de Saúde
Marta de Zé de Noé - Marta que é mulher de Zé (José), filho de Noé
Tonho de Fazendeiro - Tonho (Antônio) que tem uma loja chamada Casa do Fazendeiro

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Palavras são secundárias, alguns dizem.
9 Janeiro 2006, 4:45 pm
Arquivado em: *Isabela*, Leituras

Vi um registro interessante no Deutsche Welle que demonstra as novas tendências dos consumidores sob a influência da cultura da imagem. Essa reportagem mostra que na feira de livro de Frankfurt (2005) a maior procura foi por livros ilustrados sobre lugares, que mostrem outras culturas, para relaxar e sobre outras pessoas, principalmente celebridades.

Uma editora afirmou que é mais fácil olhar do que parar para ler e as pessoas querem olhar celebridades, em grandes eventos históricos e em cidades. Sua empresa está surpresa com o sucesso de vendas de dois livros: um sobre o chocolate e outro sobre o panettone italiano, bem como pela demanda por livros nostálgicos sobre cidades e regiões como a Toscana. Outra entrevistada disse que as palavras são secundárias, embora os editores tentem manter a escrita em um padrão elevado.

A casa publicadora francesa Vila observou que nos últimos dez anos, seus leitores se importam cada vez menos com o texto nos livros das mesas de café. Há uma tendência para poucas palavras e mais retratos, sobre páginas duplas, disse seu editor, Arnaud Poirier. O tamanho do texto encolheu pela metade e as imagens tornaram-se mais e mais espetaculares. Segundo ele, também é mais fácil para os negócios: quanto mais textos são traduzidos, mais caro o livro fica.

Nos livros de culinária, aumentar o número de fotografias se transformou em fenômeno, pois os leitores querem fotos bonitas ao lado das receitas. As pessoas não querem cozinhar algo que não podem ver, disse Gabriele Kaufman, da editora francesa Ediçções Seuil. Outra constatação é que os livros de receitas exóticas estão vendendo bem porque as pessoas estão curiosas para saber sobre como outros povos vivem no resto do mundo.

Livros que abrem janelas para aspirações mais elevadas, de estilos de vida sofisticados, um olhar sobre algo muito elegante e rico com esperança em conseguir este mesmo life style em um futuro próximo — outra tendência observada.

E o mercado para esses livros tem crescido no mundo.

Fredric Jameson, em Teoria da pós-modernidade, afirma que o texto literário perdeu seu status privilegiado e que já não existem mais grandes obras: de forma geral, as pessoas compram os livros para amanhã esquecê-los. Essa frase que coloquei aí no início do menu — também de Jameson — trata sobre isso.

Como disse Régis Debray, na sociedade da imagem, há um desprezo pelo discursivo. E, arremata: “não escrevam mais, jovens, não leiam mais obras, estes monumentos funerários: conectem-se imediatamente, escutem as informações, olhem suas telas, passem-na rápido, sem perder tempo. Quantos menos vestígios deixem, mais livres serão”.

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