
Seu Chico, ou Chico cerqueiro, ou velho Chico, ou Chico “caboco” é uma figura interessante. Anda sempre com seu cão, tão velho quanto ele, a quem chama “Chorrinho”. Carrega uma espingarda e diz que é para sua defesa, caso algum bicho apareça. Só que guarda a munição dentro de várias sacolas plásticas, uma dentro da outra. Até tirar cuidadosa e vagarosamente cada um dos saquinhos para poder carregar a arma… Bem assim é quando quer pitar. É uma “consumição” ver um pouco de fumo guardado em uma “ruma” de saquinhos. Se trabalha? Ainda faz uns bicos para complementar a renda, mesmo sendo aposentado. Bem devagar, mas fica bem feita a cerca que faz. Aos sábados se arruma todo, prepara a carroça e vai à feira na sede do município com a mulher ao lado. Parece outro.
Encontrei uma moradora aqui da região e ela me disse que sua filha Larissa – 13 anos – fugiu. Tomei um susto – notícias assim não são agradáveis – e perguntei se elas haviam brigado. “Não”, respondeu-me. E completou: “Ela fugiu com o namorado”. Então compreendi.
É comum nesta região, embora não seja regra, garotas bem jovens fugirem com seus namorados. Diz-se que o rapaz carregou a moça ou que ela fugiu com ele.
Perguntei à mãe de Larissa se ela estava preocupada. Disse-me que não.
Retruquei: “Mas você sabe onde ela está?”, então me disse que a menina estava na casa da sogra. Normalmente o casal vai para a casa da família do rapaz enquanto aguardam as discussões sobre o casamento.
Conheço alguns casos assim. Beatriz tinha 14 anos quando fugiu e está casada há dois anos. Já sua mãe fugiu com o primo quando tinha 12 anos, durante a menarca. Hoje tem 29 anos, dezessete anos de casada e quatro filhos, sendo que Beatriz é a mais velha. Já poderia até ser avó, mas sua filha não pretende ser mãe por enquanto.
Beatriz me disse: “Minha mãe sofreu muito. Naquele tempo ninguém falava sobre comprimido de evitar (sic) e ela ficou grávida logo.” O “tempo” que ela fala é o final dos anos 1980, há dezesseis anos atrás. Parece até que ela está se referindo à década de 1950.
O interessante é que elas acham incrível uma moça da cidade casar aos 28 anos e só depois resolver ter filhos. E falam: “Com essa idade, ainda com corpo de moça! Parece ser mais nova! É velha na idade e nova no calete“. Porque aqui, uma mulher na faixa de 30 anos já tem filhos adolescentes, quando já não é avó. Conheço uma senhora de de 33 anos que sua filha de 15 anos, casada, está grávida.
Fico me perguntando por qual motivo estas garotas casam tão cedo. E os rapazes também. É verdade que aqui não se têm opções para sair como nas grandes e médias cidades. Então a opção deve ser namorar – mas o namoro deve ser para casar, senão as garotas ficam mal vistas na comunidade. Por outro lado, carregando a menina, o rapaz não vai ter um não ou um espere dos sogros como resposta.
(Os nomes das garotas são fictícios).
Estávamos na cozinha. Ela olhou pela janela e falou:
– Que linda a soleira do seu cachorro!
O cachorro, um filhote de weimaraner, tinha as patas bem grandes, grossas, um sinal de que possivelmente cresceria muito. Achei que ela estava se referindo às patas dele e, por não achá-las bonitas, até desproporcionais ao seu tamanho, fiquei calada. Mas ela continuou…
– É linda! Veurmelha…
Vermelha?! Era a coleira do cão!
Traduções feitas pelo Google:
Larry Fisher: o fisher de Larry.
Larry Fisher’s lawyer: o advogado do fisher de Larry.
Fisher was arrested in 1970 while raping a woman.
O fisher foi prendido em 1970 ao violar uma mulher.
Serial rapist Larry Fisher says he wouldn’t have been surprised if he had been sentenced to life after pleading guilty to attacking four women in Saskatoon.
O fisher de série de Larry do rapist diz que não estaria surpreendido se for sentenciado à vida após pleading culpado a atacar quatro mulheres em Saskatoon.
Carole married Larry FISHER on 19 Dec 1959 in Kitchener, Ontario.
Carole casou o FISHER de Larry 19 em Dec 1959 em Kitchener, Ontário.
Nossa Senhora da Glória: Ours Lady of the Glory.
A sigla SE — que corresponde a Sergipe: IF.
E, a pior de todas:
They say you can not judge a book by its cover, and yet every day people do. They pick up a book, look at the cover, and then are moved to either put it down, turn it over, or open it up just because of how the cover looks.
Dizem que você pode julgar um livro por sua tampa, no entanto cada pessoa do dia. Escolhem acima um livro, olham a tampa, e então são movidos para posto lhe para baixo, giram-no sobre, ou abrem-no acima apenas por causa de como a tampa olha.

A craibeira, árvore de porte elevado, tem inestimável valor estético, destacando-se na paisagem da caatinga por sua beleza natural, principalmente na floração, normalmente em novembro/dezembro, época da estação seca no semi-árido.
A sabedoria popular diz que “onde nasce craibeira, tem um olho d’água” ou “quando as craibeiras florecem bastante, significa que o próximo ano será bom de inverno”.
Tirei esta e outras fotos em um mês de novembro. De casa, avistei uma árvore florida, linda. Peguei a máquina e fui conferir de perto. Ela é alta, esguia e tem uma ar de dignidade. Gostei dela.
Infelizmente, esta árvore que dá sombra, embeleza a paisagem e cria um micro-clima está escasseando na paisagem… Ah, os homens!
O semiólogo argentino Eliseo Verón, no texto “Esquema para el análisis de la mediatización” [1], apresenta uma crítica a termos que são incorporados à família dos operadores semânticos destinados, no discursos dos meios de comunicação, a gerar um sentimento de compreensão das situações a que se aplicam.
Tal crítica surge porque a midiatização, termo que foi adotado há vários anos na área acadêmica – segundo hipótese apresentada em uma conferência na Universidade de Paris 8 – estaria entrando em uma nova fase, a hiper-midiatização.
A hiper-midiatização resultaria da emergência dos multimeios, os programas hipertextuais e a explosão provocada por esta sorte de hiper-texto planetário que é a internet. O qualificativo “hiper” aludiria então não apenas a uma “volta de parafuso” a mais no processo da midiatização, mas também ao caráter planetário de tal processo [1].
Midiatização, globalização, glocalização, sustentabilidade…
Operadores que substituem a outros, interpretações que não se explicitam e análises que não se formulam, mas que produzem o mesmo efeito passional: o sentimento (euforizante) de explicar (do lado do emissor) e de compreender (do lado do receptor) a situação ou o acontecimento de que se trata. E esta “ligeireza intelectual” não é só imputável aos meios, senão também aos intelectuais. Ninguém propôs uma boa teoria da midiatização, no entanto, já se nos anuncia que entramos na “hiper”…, diz o professor Verón.
O que acontece é que, como disse Régis Debray [2], não se argumenta, se sintoniza. “O que se busca é estar informado” (Horkheimer e Adorno, 1985, p. 148), plugado, sintonizado, antenado às novas tendências. Basta?
[1] VERÓN, Eliseo. Esquema para el análisis de la mediatización. Buenos Aires, Diálogos, n° 50, 1998, p. 10-17.
[2] DEBRAY, Régis. Cours de médiologie générale. Paris: Gallimard, 1991.
John Zerzan
Anarchy, 45, primavera-verano 1998.
REIFICACIÓN*
Del latín “re”, o cosa, reificación significa, esencialmente, cosificación; un poco en el sentido en que Theodor Adorno, entre otros, afirmaba que la sociedad y la conciencia han sido casi completamente cosificadas. A través de este proceso, las prácticas y las relaciones humanas llegan a ser vistas como objetos externos. Lo que está vivo termina siendo tratado como una cosa inerte o abstracción. Se trata de un cambio de los acontecimientos que se experimenta como natural, normal, inmutable.
En Tristes Trópicos Claude Lévi-Strauss ofrece una imagen de este proceso de reificación en términos de atrofia de la civilización occidental: “como un animal viejo cuya espesa piel ha formado una costra imperecedera alrededor de su cuerpo, la cual, al evitar que la piel pueda respirar, termina por acelerar su proceso de envejecimiento” Esta pérdida de sentido, inmediatez y energía espiritual en la civilización occidental constituye igualmente un tema importante en los trabajos de Max Weber, el cual, se interesa también en la reificación de la vida moderna. Que esta falta de vida y de encanto parezcan de algún modo inevitables e inmutables, y sean, en gran parte, admitidas, precisamente, como una concesión, es un importante resultado de la reificación, algo inseparable de ella.
¿Cómo llegaron las actividades y relaciones humanas a separarse de sus sujetos y a adoptar una “vida” como de cosa, por ellas mismas? Y, dada la evidente mengua de la creencia en las instituciones y categorías sociales, ¿qué mantiene unidas las “cosas” en la sociedad cosificada?
En un mundo comprendido de forma creciente por las más rígidas formas de extrañamiento, términos como reificación o alienación ya no se encuentran en la literatura que supuestamente se ocupa de ese mundo. Aquellos que declaran no tener ideologías son a menudo los más constreñidos y determinados por esa ideología dominante que son incapaces de ver, y es posible que el mayor grado de alienación se alcance allí donde la conciencia no llega.
El término reificación fue ampliamente usada en la definición que de él dio el marxista Georg Lukacks, a saber: una forma de alienación resultado del fetichismo de la mercancía de las modernas relaciones de mercado. Las condiciones sociales y la situación del individuo se han convertido en una función misteriosa e impenetrable en lo que comúnmente denominamos capitalismo de consumo. Somos aplastados y cegados por la fuerza reificante de la etapa del capital que comenzó en el siglo XX.
Pienso, no obstante, que puede ser útil retomar el término reificación para establecer un significado más profundo y dinámico. Lo simple y directamente humano está siendo en realidad evacuado de un modo tan cierto como que la naturaleza misma ha sido domesticada y convertida en un objeto. En el universo helado de las mercancías, el reinado de las cosas sobre la vida resulta obvio, y la frialdad que Adorno vio en el principio básico de la subjetividad burguesa está alcanza nuevos mínimos.
Pero si la reificación es el elemento central a través del cual la forma mercancía impregna toda la cultura, es también mucho más que eso. Kant conoció el término, y fue Hegel, poco después, quien hizo un mayor uso de él (y de la objetivación, su equivalente aproximado). Él descubrió una ausencia radical del ser en el corazón del sujeto; es aquí donde podemos indagar fructuosamente.
El mundo se nos presenta por sí mismo y nosotros lo re-presentamos. Pero, ¿de dónde viene la necesidad de hacer esto? ¿Sabemos lo que realmente simbolizan los símbolos? ¿Será cierto que deben ser poseídos y no representados? Los signos son, básicamente, señales, esto es, correlativos; los símbolos, sin embargo, son sustitutivos. Como explica Husserl, “el símbolo existe efectivamente en el momento en que se introduce algo más que vida” Es posible que la reificación sea el corolario inevitable, o un subproducto, de la simbolización misma. (mais…)
El hombre imaginario
vive en una mansión imaginaria
rodeada de árboles imaginarios
a la orilla de un río imaginario
De los muros que son imaginarios
penden antiguos cuadros imaginarios
irreparables grietas imaginarias
que representan hechos imaginarios
ocurridos en mundos imaginarios
en lugares y tiempos imaginarios
Todas las tardes tardes imaginarias
sube las escaleras imaginarias
y se asoma al balcón imaginario
a mirar el paisaje imaginario
que consiste en un valle imaginario
circundado de cerros imaginarios
Sombras imaginarias
vienen por el camino imaginario
entonando canciones imaginarias
a la muerte del sol imaginario
Y en las noches de luna imaginaria
sueña con la mujer imaginaria
que le brindó su amor imaginario
vuelve a sentir ese mismo dolor
ese mismo placer imaginario
y vuelve a palpitar
el corazón del hombre imaginario
Nicanor Parra
de Hojas de parra (Santiago, Ganímedes, 1985)
